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    Na praia -

    Ian McEwan

    Companhia das Letras
    2007
    130 páginas
    4h 20m
    ISBN-13: 9788535910421
    Português Brasileiro
    3.8
    1399 avaliações
    Leram2056Lendo35Querem1048Relendo1Abandonos30Resenhas144
    Favoritos128Desejados1048Avaliaram1399

    A noite de núpcias de dois jovens ingleses, Edward e Florence, numa praia pedregosa próxima ao canal da Mancha, em 1962, é o ponto de partida e de chegada deste novo romance de Ian McEwan. Inglaterra, 1962. As profundas mudanças na moral e no comportamento sexual que abalariam o mundo ao longo daquela década ainda estão em estado de gestação. Edward Mayhew e Florence Ponting, ambos virgens, se instalam num hotel na praia de Chesil, perto do canal da Mancha, para celebrar sua noite de núpcias. Ele é um rapaz recém-formado em história, de origem provinciana, cuja mãe é deficiente mental, e o pai é professor secundário. Ela é uma violinista promissora, líder de seu próprio quarteto de cordas, filha de um industrial e de uma professora universitária de Oxford. O desajeitado encontro íntimo desses dois jovens ainda marcados pelos resquícios da repressiva moral vitoriana é repleto de lances cômicos e comoventes, configurando uma autêntica tragicomédia de erros. Na praia, entretanto, vai além disso. Por conta da refinada arte narrativa de Ian McEwan, o drama dos recém-casados transcende o registro particular e o retrato de época para alcançar a dimensão de uma obra universal sobre o momento da perda da inocência, essa expulsão do paraíso que é um ponto de inflexão na vida de todo indivíduo. Com sua prosa precisa, tão sutil quanto implacável, McEwan alterna os pontos de vista de Edward e Florence, radiografando seus pensamentos e motivações mais secretos. O sentimento trágico que fica no leitor vem da percepção dos estragos profundos e duradouros que um pequeno gesto, um único mal-entendido, uma palavra infeliz podem causar na vida dos personagens. Com esse romance compacto, intenso, inteiriço como um poema ou uma peça musical, o autor confirma seu notável talento para captar e expressar os descaminhos da vida interior.

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    Carina Siqueira Baptista28/05/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Solidão a dois

    McEwan começa logo no primeiro páragrafo dizendo do que "Na praia" tratará: "Eram jovens, educados e ambos virgens nessa noite, sua noite de núpcias, e viviam num tempo em que conversar sobre as dificuldades sexuais era completamente impossível." Por esse começo poderia se imaginar que este seria mais um de tantos livros que fala sobre as dificuldades românticas/sexuais de um casal ou sobre os problemas acarretados pela repressão sexual. Mas esse livro não é mais um entre tantos. Pra começo de conversa, McEwan é um gênio. Sua escrita é simples, envolvente, sofisticada. Acho que é um dos escritores mais elegantes que já li. E é impressionante o modo como ele prende o leitor na sua narrativa, passei o livro inteiro prendendo a respiração para o que vinha em seguida. E não porque fosse um enorme suspense, grandes novidades ou invenções mirabolantes, mas porque ele fala dos conflitos da alma humana como poucos. Se tivesse que descrever "Na praia" em uma só palavra seria "solidão". Ou talvez "desencontro". Isso pode parecer contraditório tendo em vista o tema e as cenas iniciais do livro mas pra mim foi o que ficou dessa leitura, como torna-se impossível o encontro de um casal quando cada um está perdido dentro de seus próprios medos e expectativas. E, o mais triste de tudo, como é difícil nos esquecermos um pouco de nós mesmos para podermos assim encontrar o outro.

    40 curtidas

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    3.8 / 1399
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas3%
    Ian Russell McEwan profile picture

    Ian Russell McEwan

    Ian McEwan é considerado um dos grandes nomes da ficção britânica contemporânea. Seu primeiro livro, <i>First love, last rites</i> (1975), ganhou o prêmio Somerset Maugham. É conhecido pela inventividade com as palavras e pelo gosto de usar a mecânica dos thrillers como crítica social. Ao longo de sua carreira foi indicado diversas vezes para receber o Booker Prize, o mais prestigiado prêmio literário britânico, o que veio ocorrer em 1998 com o livro <i>Amsterdam</i> (1998). Sua obra é famosa pelo realismo psicológico, com rigor de detalhes e clima ameaçador, explorando com frequência temas complexos como escolha ética, decisões difíceis e circunstâncias extraordinárias.

    60 Livros
    507 Seguidores
    Hampshire, Inglaterra

    Ian Russell McEwan