Filosofia, teologia e poesia
Dan Simmons usa e abusa de sua erudição. A fantasia científica é uma desculpa para colocar em perspectiva nossas noções de conforto existencial, o valor da vida humana e a beleza de sua individualidade para o fortalecimento do coletivo, da insipidez espiritual de nossa época e do poder que foi outorgado à humanidade para definir os rumos do universo. Apesar de me opor veementemente às posições teológicas liberais de Teilhard que inspiram muito da estética espiritual desta obra, entendo que seu valor é como o de um diamante em comparação com as bolotas da espiritualidade hodierna. Uma fé tão inócua que é incapaz de nos confrontar, de nos fazer pensar além da própria satisfação, como o zen-gnosticismo que se alastra pela Hegemonia do Homem. É uma obra que vai sempre vir à tona quando eu pensar em quais considero os melhores livros do gênero. Recomendo a leitura, primeiro de Hyperion e já A Queda de Hyperion na sequência.

