Franco Moretti propõe uma leitura historiográfica e sociológica das obras Drácula e Frankenstein: esses dois nomes, representam, para o autor, o medo da civilização burguesa.
O monstro e o vampiro nascem juntos no limiar da modernidade, em pleno vigor da Revolução Industrial. São suscitados com força total no final do século XIX, no auge da consolidação do capitalismo global e do imperialismo e adentram ao longo do século XX, conquistando o cinema.
Por que Drácula e Frankenstein são personagens indivisíveis? Porque são duas faces horríveis de uma só sociedade: “o miserável desfigurado e o proprietário impiedoso” (p. 105).
A partir de um trecho de O capital, de Marx, sobre as relações entre o trabalhador e o capital, Moretti postula que a literatura do terror nasce, justamente, “do terror de uma sociedade dividida e do desejo de curá-la” (p. 105), pois é no plano da ficção que o terror depois de instaurado é apagado e a harmonia pode se tornar plena. Frente as incertezas do futuro, a essa literatura tem como escopo parar a história.