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    Contos - Volume II (Contos de Ernest Hemingway #2) -

    Ernest Hemingway

    Bertrand Brasil
    2001
    319 páginas
    10h 38m
    ISBN-10: 8528607704
    Português Brasileiro
    4
    154 avaliações
    Leram262Lendo26Querem310Relendo1Abandonos9Resenhas16
    Favoritos8Desejados310Avaliaram154

    Reunião de 21 contos de Ernest Hemingway. Diz o autor, na orelha da edição: "As primeiras quatro histórias são justamente as últimas que escrevi. As demais aparecem na ordem em que originalmente foram publicadas. Depois de A QUINTA COLUNA, escrevi 'OS PISTOLEIROS', parte de O SOL TAMBÉM SE LEVANTA e o primeiro terço de TER E NÃO TER, em Madri. Que, aliás, sempre foi um bom lugar para se trabalhar e criar. Tanto quanto era Paris, e como o eram Key West, Flórida, nos meses frios; o rancho, perto de Cooke City, Montana; Kansas City; Chicago; Toronto e Havana, Cuba. Outros lugares não são tão bons -- mas talvez nós é que não estejamos tão bem quando nos encontramos neles. Existem vários tipos de histórias neste livro. Espero que o leitor encontre algo que lhe agrade. Relendo-as agora, incluo entre aquelas de que mais gosto -- não considerando, de resto, as que adquiriram tal notoriedade a ponto de professores inseri-las em antologias que seus alunos tiveram de possuir para seus cursos de literatura, e aquelas de difícil leitura ou aceitação por parte das pessoas -- 'A VIDA BREVE E FELIZ DE FRANCIS MACOMBER', 'COLINAS PARECENDO ELEFANTES BRANCOS', 'AS NEVES DO KILIMANJARO', 'UM LUGAR LIMPO E BEM ILUMNINADO', e uma história intitulada 'A LUZ DO MUNDO', da qual ninguém gostou muito. Existem outras, claro -- mas se não gostamos delas não devemos publicá-las. Indo aonde se deve ir, fazendo o que se tem de fazer, observando o que há para observar, qualquer um encontra e identifica material e instrumental para escrever uma história. Quanto a mim, prefiro trabalhá-las e poli-las bastante, prefiro ter de colocá-las, por assim dizer, numa espécie de bigorna, martelá-las até forjá-las a contento, ou mesmo apenas moldá-las numa pedra já formatada, e assim saber que tenho algo sobre o que escrever: prefiro isso a ter aquele material claro e brilhante, já pronto, e não ter nada a dizer, ou então tê-lo limpo e bem lubrificado, guardado no armário, mas fora de uso. Então faz-se sempre necessário utilizar a bigorna. Gostaria de viver o bastante para escrever mais três romances e mais vinte e cinco contos. Conheço alguns casos muito interessantes." (Ernest Hemingway, 1938) Os contos: "A vida breve e feliz de Francis Macomber", "A capital do mundo", "As neves do Kilimanjaro", "O velho pobre na ponte", "A volta do soldado", "Gato na chuva", "O meu velho", "Os renitentes", "Em um outro país", "Colinas parecendo elefantes brancos", "Os pistoleiros", "Che ti dice la patria?", "Cinquenta mil", "Uma indagação inocente", "Um canário para ela", "Agora vou dormir", "Um lugar limpo e bem iluminado", "A luz do mundo", "Homenagem à suíça", "História natural dos mortos" e "O jogador, a freira e o rádio".

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    jota 11 picture
    jota 1115/05/2020Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Minha avaliação: 3,3/5,0 – BOM (pensei que fosse apreciar mais, mas não)

    Dos 3 volumes de contos de Ernest Hemingway (1899-1961) lançados pela Bertrand parece que este, o volume 2, é o mais apreciado por quem já leu os demais. O estilo de escrita de Hemingway é jornalístico e em suas histórias destacam-se os diálogos, quase sempre curtos e precisos, uma de suas características mais conhecidas. Em algumas histórias, de certo modo autobiográficas, aparece o personagem Nick Adams, alter ego de Hemingway como querem os críticos, e que já ganhou um livro de contos especialmente para si, ainda não editado no Brasil até o momento (em Portugal, sim). A seguir, se interessar a alguém, um pequeno resumo dos 21 contos desta edição, alguns que já li mais de uma vez, em outros livros: A vida breve e feliz de Francis Macomber – Macomber e a mulher caçam na África; ela sente atração pelo guia do safári e trai o marido. Um animal ferido e furioso ataca os homens e ela atira: acaba acertando o marido. O guia fica na dúvida: ela pretendia mesmo deter o animal ou, propositalmente, matar o marido e herdar a fortuna dele? MUITO BOM. A capital do mundo – No caso é Madri, onde se realizavam esplêndidas touradas que atraíam imensamente o pequeno Paco. Ele trabalhava numa pensão da cidade e sonhava em ser toureiro no futuro. Praticava no próprio refeitório do estabelecimento com cadeiras e facas e a ajuda de um amigo. Até que uma fatalidade ocorre. MUITO BOM As neves do Kilimanjaro – Um dos melhores contos do volume e da carreira de Hemingway, muito repetido em coletâneas de contos. Entre a consciência e o delírio, um escritor ferido em um safári relembra episódios marcantes de sua vida. Ele aguarda com a mulher a chegada de um amigo que virá resgatá-lo de avião, levá-lo a um hospital para tratar uma infecção que toma seu corpo. Chegará a tempo? ÓTIMO O velho na ponte – Durante a guerra civil espanhola (1936 a 1939) um velhinho desolado lamenta com um soldado que combate os fascistas que não sabe como ficarão seus animais, agora que está em retirada. Certamente pensamos num rebanho e o soldado fica sabendo que ele cuidava de duas cabras, um gato e quatro casais de pombos... BOM A volta do soldado – Jovem soldado americano volta da Europa para casa em 1919, depois de ter participado da guerra. Sua mãe não lhe dá muito sossego querendo agora dirigir completamente sua vida, aconselhando-o para que arranje logo uma namorada, se case etc. MUITO BOM Gato na chuva – Casal americano em hotel italiano num dia chuvoso. Da janela a mulher vê um gatinho tentando não se molhar. Desce para pegá-lo mas quando chega lá ele desapareceu. Volta para o quarto desapontada. Mas logo depois tem uma surpresa preparada pelo gerente do estabelecimento. BOM O meu velho – Garoto narra fatos de sua vida ao lado do pai, um jóquei que tentava manter o peso ideal através de muito exercício físico. O pai era também apostador e, no final, proprietário de um cavalo de corridas. Numa delas acontece algo que marcará o garoto para sempre. BOM Os renitentes – Os renitentes do título são toureiros fracassados e um touro. Uma sangrenta corrida (como os espanhóis chamam uma tourada), é descrita nos mínimos e cruentos detalhes por Hemingway, grande apreciador não apenas de caçadas. Pode ser bom, mas o assunto, não me agradou. NÃO GOSTEI Em um outro país – Um soldado americano é o narrador sem nome (provavelmente ele é Nick Adams) que conta suas vivências durante a Primeira Guerra Mundial diretamente de um hospital em Milão. Alguns críticos consideram que neste conto estão alguns temas que depois Hemingway desenvolveria no conhecido romance Adeus às Armas, de 1929. BOM Colinas parecendo elefantes brancos - Enquanto aguardam o trem para Barcelona um homem e uma mulher discutem a relação e tomam cerveja e também uma e outra bebida diferente. Ela diz que algumas colinas na paisagem se assemelham a elefantes brancos. Ele retruca que jamais viu algum exemplar dessa cor. E a conversa prossegue nesse tom... BOM Os pistoleiros – Dois pistoleiros invadem uma lanchonete e fazem reféns o atendente, o cozinheiro e um cliente (Nick Adams). E ficam aguardando um outro cliente que diariamente janta ali, conhecido como Sueco, para matá-lo. Só que justo naquele dia ele não aparece... Foi adaptado para o cinema em 1946 e 1961 como Os Assassinos. BOM Che ti dice la patria? – (O que a pátria lhe diz?) Dois estrangeiros viajam de automóvel por algumas cidades italianas em 1927, época em que Mussolini estava no poder. O país está cheio de fascistas, claro, e eles só encontraram tempo inóspito, comida ruim e interação não muito agradável com o povo... BOM Cinquenta mil – É o prêmio em dólares disputado por dois lutadores de boxe em Nova York. Tudo o que vem antes da luta, a preparação de um dos competidores, é narrado quase que exclusivamente através de diálogos mas depois, perto do final, Hemingway mostra as mesmas habilidades sangrentas que usava para descrever caçadas e touradas, o que fazia como poucos. BOM Uma indagação inocente – Major indaga a jovem soldado italiano se ele já esteve apaixonado por uma mulher. Soldado diz que sim, mas o major retruca que se ele estivesse, então escreveria cartas a ela. Diz que leu todas as cartas que o soldado enviou e não encontrou nenhuma dirigida a uma mulher. Constrangimento... NÂO GOSTEI Um canário para ela – Senhora americana meio surda viaja de trem para Paris, levando numa gaiola um canário. Comenta com um casal de viajantes, também americanos, que eles são os melhores maridos, os únicos homens com quem as mulheres deveriam se casar. E conta a eles que impediu sua filha de se casar com um suíço. O canário é um presente para a moça, a fim de melhorar seu humor... BOM Agora vou dormir – Tenente americano convalesce na Itália durante a PGM. Um de seus principais problemas é que ele sofre de insônia. Tenta superar isso de alguma forma mas não consegue e então reflete sobre diversas coisas. Um outro soldado ferido, convalescendo ali também, sugere ao tenente que ele deveria se casar com uma italiana bonita e cheia de dinheiro... BOM Um lugar limpo e bem iluminado – É um bar espanhol, onde dois garçons, as duas da madrugada, servem bebida a um único cliente então, um senhor bastante idoso que costuma se esquecer de pagar a conta quando fica bêbado, mas que é um bom cliente quando sóbrio. Um dos garçons diz estar cansado, quer ir logo para casa, mas o velhinho pede outra bebida... BOM A luz do mundo – Os protagonistas, dois viajantes (Tom e Nick) encontram vários indivíduos no bar de uma estação de trem em Michigan, mas conversam sobretudo com prostitutas, uma delas extremamente gorda, que foi apaixonada por um boxeador assassinado e que, segundo ela, era um ser iluminado (daí o título). NÃO GOSTEI Homenagem à Suíça – Dividido em três partes, todas passadas em estações ferroviárias helvéticas (Montreux, Vevey, Territet), envolvem personagens distintos (Mr. Wheeler, Mr. Johnson, Mr. Harris) e uma garçonete de cada restaurante das estações. Predomina o humor, algo um tanto raro nessa coletânea, em que a maioria das histórias têm final trágico, dramático ou os personagens se dão mal. ÓTIMO História natural dos mortos – Essa história tem a ver com o tempo em que Hemingway serviu como motorista de ambulância da Cruz Vermelha na PGM e faz referências a diversos eventos e mortes ocorridos em tempos de guerra. Termina com a discussão entre um médico e um oficial que deseja prioridade de atendimento para um soldado à beira da morte. BOM O jogador, a freira e o rádio – O conto se passa em um hospital administrado por um convento e envolve três personagens curiosos: um jogador mexicano que levou um tiro, uma freira que aspira à santidade e um outro doente, um escritor que ouve rádio o tempo todo. Um dia, músicos vêm tocar para o jogador, e o escritor se delicia com uma canção tocada por eles, a famosa La Cucaracha. NÃO GOSTEI. Lido entre 30/04 e 14/05/2020.

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    Ernest Miller Hemingway

    Considerado pela Academia Sueca como um dos maiores autores de nosso tempo, Hemingway foi o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1954, feito em grande parte devido à sua obra-prima <i>O velho e o mar</i> (1952), que também foi vencedora do Prêmio Pulitzer de 1952. Sua prosa é admirada pelo seu estilo enxuto e despojado, com uso de frases e parágrafos curtos. Seu estilo é muitas vezes apontado como sua maior herança à Literatura e influenciou os padrões vigentes na época. Autor de uma obra prolífica, escreveu romances, contos, trabalhos de não-ficção e autobiográficos que foram publicados em vida ou postumamente.

    45 Livros
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    Illinois, Estados Unidos

    Ernest Miller Hemingway