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    Papel-Máquina -

    Jacques Derrida

    Estação Liberdade
    2004
    360 páginas
    12h 0m
    ISBN-11: 8574480967_
    Português Brasileiro
    4.4
    5 avaliações
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    Neste livro, Jacques Derrida, interessado em refletir e questionar temas ligados à contemporaneidade de novas tecnologias, suportes e instrumentos para o texto. Fala também da geopolítica internacional, de sua terra natal, a Argélia, bem como mergulha em Sartre e na revista Les Temps Modernes, aplica sua estratégia de desconstrução no texto de De Man para depurar a questão da culpa e do perdão e reduz o texto impresso a sua mais desmembrada partícula. Os textos, dois ensaios longos e uma coletânea de artigos para jornais, entrevistas, conferências e cartas, são 'uma resposta a um convite, a uma pergunta, a uma inquirição'. Para além de ser o objeto-papel usado para a escrita na máquina de escrever, ele é o significante suporte de interpretações e indagações várias; do lugar das tecnologias ao papel da subjetividade na contemporaneidade; da virtualidade às marcas e às margens da escrita; da globalização às estratégias de exclusão explicitadas na figura dos sem-documentos, dos sem-papéis.

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    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa picture
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa23/03/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Nos limites da razão

    A coletânea "Papel-Máquina" inclui entrevistas, intervenções e muitos textos bem acessíveis, junto com um ou dois outros que não o são tanto. Entre os primeiros está a carta aberta (publicada em "L’Humanité" em 30 de novembro de 1999) a Fernando Henrique Cardoso, em apoio ao MST e em protesto contra a forma como estava a ser conduzido o julgamento por assassinato do militante José Rainha, ao final absolvido. Entre as considerações que podem ser bem compreendidas sem necessidade de consultar toda uma biblioteca, está sua recorrente proposta de lidar com a questão do imigrante estrangeiro sob o ideal da “hospitalidade” e não da “tolerância”, termo querido a Habermas. Este último conceito é de origem religiosa: uma permissão condicional para viver sob direitos restritos, historicamente enraizada na relação entre católicos e “hereges” e que sempre pressupõe “limites de tolerância”. Hospitalidade, em troca, é uma acolhida e abertura ao outro que, em seu princípio, é incondicional e ilimitada. Na sua aplicação, nem tanto, reconhece: sua realização prática, sem a qual nada significaria, supõe leis, normas e regras. O importante é que os limites não estejam pressupostos no próprio conceito e que este prometa a possibilidade de indefinida ampliação – ainda que, como Derrida insiste, não haja promessa se não houver o risco de perjúrio. Também não há um verdadeiro acontecimento que não seja, a princípio, impossível, nem verdadeiro perdão do que não seja imperdoável. Avançar em relação ao que foi o limite da justiça, da prudência e do racional é sempre necessário, assim como fazer da política mais do que a arte do possível.

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    Jacques Derrida profile picture

    Jacques Derrida

    De origem judaica, mas secular, Derrida nasceu e cresceu na Argélia. Sofreu, durante a época da Segunda Guerra com as consequências das políticas antissemitas. Entretanto, a descoberta dos livros de Jean-Jacques Rousseau, Friedrich Nietzsche, André Gide e Albert Camus, durante a adolescência, contribuíram para sua vocação literária e filosófica. Derrida iniciaria o seu curso superior em 1952 (na École Normale Supérieure), época em que descobriu as obras de Edmund Husserl, Soren Kierkegaard e Heidegger. Entre os professores da École, figuravam Michel Foucault e Louis Althusser; trabalhou como professor auxiliar na Universidade Harvard. Tornou-se professor em 1959, na escola secundária de Le Mans, e entre1960 a 1964 ele deu aulas na Sorbonne; no ano de 1964 obteve o prémio Jean-Cavaillè (um prêmio para produção em Epistemologia), por sua tradução de A origem da geometria, de Edmund Husserl. Em 1965 foi chamado para dar aulas na École Normale Supérieure, ocupando o cargo de diretor de pesquisas, junto com Louis Althusser. Seria professor naquela escola até 1984. Fundou a associação Jan Hus em 1981, destinada a auxiliar intelectuais dissidentes em universidades da Tchecoslováquia. Derrida foi diretor da École des Hautes Études en Science Sociales, de Paris. Desde 1986 ele era professor de humanidades na Universidade da Califórnia (câmpus de Irvine), onde era também diretor do arquivo de manuscritos. Em 2001, recebeu o Theodor W. Adorno-Preis, em Frankfurt. Derrida tornou-se professor convidado das mais prestigiadas universidades europeias e norte-americanas — como Johns Hopkins, Yale, Irvine, Cornell, Universidade de Nova Iorque, entre muitas outras. Foi-lhe igualmente outorgado o Doutoramento Honoris Causa por diversas universidades como a Cambridge, Columbia, The New School for Social Research, Essex, Leuven, Williams College, Universidade de Silesia, Universidade de Coimbra entre mais de uma outra dezena delas. Em 2002 foi nomeado para a Cátedra - Gadamer na Universidade de Heidelberg por designação expressa do próprio filósofo alemão. Foi membro estrangeiro honorário, desde 1985, da American Academy of Arts and Sciences e da Modern Language Association of America, assim como Presidente honorário do Parlement International de Écrivains. Exerceu profundo impacto nas mais diversas áreas das humanidades e ciências humanas, em especial nos campos da estética, teoria da literatura e filosofia do direito, e gerado debates decisivos com os pensadores mais importantes de sua época (Claude Lévi-Strauss, Michel Foucault, John Searle, Paul Ricoeur, Jürgen Habermas, entre outros). Derrida esteve no Brasil três vezes: em 1995, na Universidade de São Paulo (USP) e na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo; e em 2001, no Rio de Janeiro, e em agosto de 2004, em evento organizado na Maison de France, no Rio de Janeiro.

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    Jacques Derrida