Desconstrução e Ética - Ecos de Jacques Derrida

    Paulo César Duque-Estrada

    Loyola
    2004
    248 páginas
    8h 16m
    ISBN-11: 8515029537_
    Português Brasileiro

    A obra é densa. Reúne textos de especialistas sobre o tema, chegando-se a um conjunto capaz de esquadrinhar o significado e a amplitude do pensamento de Jacques Derrida. O tema foi inicialmente tratado num encontro realizado na PUC-Rio, com a participação especial do professor Geoffrey Bennington, da Emory University, conhecido por seus estudos em torno da obra de Jacques Derrida. Inspirados ou provocados pelo pensamento de Derrida, os artigos reunidos nesta obra pretendem contribuir para as discussões contemporâneas em torno da ética.

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    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa picture
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa23/03/2010Resenhou um livro
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    Mais citado do que lido com atenção, o pensamento do francês Jacques Derrida tem sido mais vítima de mal-entendidos do que é usual em filosofia. Sua adoção por críticos da literatura e da cultura formados nas últimas décadas, principalmente nos EUA, fez do seu nome um pivô para conflitos de gerações e disputas pelo poder na academia, obscurecendo o significado de sua contribuição. Esse filósofo, tantas vezes rotulado como relativista e irracionalista, é profundamente ético e exigente como ninguém no uso da argumentação racional. De forma alguma menospreza sua necessidade. Pelo contrário, ao questionar como idéias e conceitos tidos como racionais – incluída a própria razão – foram construídos e quais são os seus limites históricos e culturais, estabelece a mais rigorosa das distinções entre razão e não-razão. Põe em evidência e traz à consciência o que há de arbitrário, contraditório e avesso a soluções racionais em qualquer discurso, porque o esquecimento desses limites – das aporias, ou em linguagem menos especializada, dos inevitáveis becos sem saída – conduz, isso sim, a devaneios irreais e imaginários. É considerado por muitos como hermético e de fato pode ser muito difícil acompanhá-lo em muitas de suas obras mais importantes que, além de intrinsecamente difíceis, remetem a numerosos outros textos sem os quais não podem ser compreendidas. Nas entrevistas, não é incomum ler-se Derrida a recusar a questão nos termos propostos pelo entrevistador ou o remeter a textos que já publicou. Não por arrogância ou elitismo, mas por perceber que o espaço e as regras do jogo não lhe permitem abordar a questão de forma responsável, nem revelar as armadilhas freqüentemente ocultas na colocação e formulação de uma pergunta – principalmente quando esta é sinceramente ingênua e direta. Mas Derrida pode ser um dos mais claros e objetivos dos pensadores modernos quanto debate questões ético-políticas que interessam mais de perto ao leigo, o que tem feito com freqüência crescente nos últimos anos, assim como seus seguidores. É exemplo a coletânea "Desconstrução e Ética", de autores predominantemente brasileiros, que discute a relevância da desconstrução para questões morais, políticas e jurídicas.

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