"Tanto Tempo na Pior que o que Pintar É Uma Boa" é uma tradução um pouco esquisita para o título original, "Been Down So Long It Looks Like Up To Me". Mas devo ser justo: a tradução estranha para por aí. O trabalho do tradutor Richard Goodwin nessa edição é simplesmente brilhante. Imagino o trabalho colossal que deve ter sido trazer para o português o estilo de escrita de Richard Fariña: psicodélico, por vezes hermético, recheado de trocadilhos, a narração alternando, sem avisos, da primeira para a terceira pessoa.
O romance, lançado em 1966, se passa em 1958, e narra as desventuras de Gnossos Pappadopoulis, um universitário de vinte e poucos anos, estudante de uma faculdade no estado de Nova York. Uma espécie de Odisseu moderno, o protagonista retorna de um período sabático para o campus, com uma mochila recheada de drogas e determinado a qualquer coisa, exceto levar os estudos a sério.
Gnossos encontra seus antigos parceiros, toma porres homéricos, consome drogas vorazmente, persegue rabos-de-saia pelo campus sem a mínima intenção de se apaixonar, tenta a todo custo "abrir as portas da percepção", comete delitos e vandalismos em nome da pura anarquia. Gnossos é rebeldia em estado puro. Lá pelas tantas, se vê envolvido em protestos e politicagens universitárias, tráfico de drogas e até num pulinho à Cuba prestes a cair nas mãos dos rebeldes liderados por Castro.
É um livro hilário, sobre abraçar o caos, a juventude, a vida desregrada. O protagonista não é uma boa pessoa, tampouco uma má pessoa: é um 𤬠#$%!& -louca sem freios. Mas o Homem não consegue controlar o Caos: o mundo é um 𤬠#$%!& , e às vezes tudo o que conseguimos é pegar uma gonorreia da garota que achávamos que nos amava. Leitura difícil, mas extremamente recompensadora.