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    O CANIBALISMO AMOROSO -

    Affonso Romano de Sant'Anna

    Rocco
    1993
    321 páginas
    10h 42m
    ISBN-10: 8532504086
    Português Brasileiro
    4
    20 avaliações
    Leram52Lendo7Querem196Relendo0Abandonos3Resenhas2
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    A poesia é a melhor forma de se falar de amor. Um amor que vai do platonismo ao canibalismo na forma de descrever seu objeto de culto; o feminino. A história da poesia brasileira que o poeta Affonso Romano de Sant’Anna fez neste livro é uma sedutora viagem pelo desejo masculino e sua projeção no corpo do ser amado. Ao sabor da estética e dos costumes de cada época, as mulheres podem ser amadas distantes, anjos de corpos imaculados ou mulatas calientes, saboreadas como mulheres-fruto ou mulheres-caça. Os poetas neoclássicos, como Tomás Antonio Gonzaga, por exemplo, mal falavam em beijos ou seios. Já no Romantismo, a culinária é mesclada ao erotismo, na pele de mestiças cor de buriti, ao mesmo tempo cozinheiras e comida. Castro Alves é a única voz dissonante, colocando-se ao lado dos oprimidos, numa metáfora baseada na mitologia grega, em que a ninfa negra encontra Pan, o violador, o signo da morte, em A cachoeira de Paulo Afonso. As mulheres, para os parnasianos, eram semelhantes às estátuas de mármore; belas, frias e inatingíveis. Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens encheram o Simbolismo de magnólias e lírios, garças e anjos. E Manuel Bandeira inaugura o século XX com a união entre o sexual e o espiritual, misturando santas, como Maria Egipcíaca e Teresa, a prostitutas, estrelas e flores. Não se pode falar em mulher na poesia sem esquecer seu maior cantor, Vinícius de Moraes. Affonso Romano de Sant’Anna revela um componente edipiano na poesia de Vinícius, recheada de imagens de Grandes Mães e de filhos-amantes. O 'Canibalismo amoroso' é um texto delicioso, uma pesquisa saborosa e fundamental para quem se interessa por literatura ou mulheres.

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    Ana Luiza Voigt Guimarães picture
    Ana Luiza Voigt Guimarães17/12/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Imensa riqueza em Mitos e Arquétipos

    O livro é fabuloso – traz uma coletânea riquíssima de mitos e arquétipos que povoam o imaginário do ser humano desde tempos remotos. Acabei lendo o livro depressa demais, e como ele é riquíssimo de informação, deveria ser lido com mais  cautela… pretendo reler! A única ressalva que faço: às vezes me perdi, já que o autor faz, do começo ao fim, um paralelo com a poesia brasileira mais antiga: os arcadismo, parnasianismo, romantismo, simbolismo etc. E eu estou longe de dominar esse assunto! ☹ Enfim, vou reler a obra, que é absolutamente fascinante, tem uma linguagem belíssima, poética até… e merece ser fruída com mais lentidão e cuidado. Segue o índice para que os interessados percebam a riqueza de assuntos desenvolvidos pelo autor.  ● A mulher de cor e o canibalismo erótico na sociedade escravocrata . Da mulher para ser vista à mulher para ser comida . A mulata apetitosa na culinária amorosa . . O discurso da sedução: a crioula e o feitor . Brejeirice e faceirice como elementos de troca: a mulata cordial . Castro Alves e a denúncia do social através do sexual ● Da mulher-esfinge como estátua devoradora ao striptease na alcova. . Vênus e Maria: o desejo e a interdição numa só estátua . A devoração voyeurista e o véu da interdição  . O Édipo poeta e a esfinge devoradora  . A mulher-estátua e a alquimia erótica do corpo entre a pedra e a água  . A taça, o vaso e a concha como conteúdos e formas do desejo  . A mulher-sereia, a mulher-serpente e a sedutora Cleópatra  . Salomé, Laís e outras dançarinas e o striptease da estátua nas festas e alcovas. ● Do canibalismo melancólico sobre o corpo da amada morta à eroticidade de Lúcifer . O amor entre o luto e a melancolia  . O canibal melancólico  . O canibalismo erótico-cirúrgico  . A fome erótica do verme  . O sapo, a escada e a Lua no paradoxo ascensional  . Ofélia e o cisne no espelho líquido da morte  . O “lyrio” e o cenário vegetal da morte  . A Bela Adormecida e o conflito de Psique e Alma  . O amor sonâmbulo no castelo do desejo  . Monjas e santas: o sequestro místico do desejo  . Da monja enclausurada ao poeta emparedado . Lúcifer: o poeta assume o luminoso mal ● Manuel Bandeira: do amor místico e perverso pela santa e a prostituta à família mítica permissiva e incestuosa . A santa e a prostituta nas margens do desejo  . A hierogamia e a prostituta sagrada  . A vulgívaga e o súcubo contagiando de morte a alma dos santos  . Do Pã violador ao Arlequim sedutor  . A androginia perversa e mística  . Dom Juan e a espada fálica entre a carne e o espírito  . Pasárgada: a família permissiva no reino do prazer . O jogo ambíguo do menino com a sereia-prostituta . A prostituta e sua metamorfose em estrela e flor  . O poeta sórdido: tuberculose e prostituição, a cicatriz do verso e a morte ● Vinicius de Moraes: a fragmentação dionisíaca e órfica da carne entre o amor da mulher única e o amor por todas as mulheres . O ego cindido entre o bem e o mal na tela do imaginário  . A grande mãe boa e má e seu filho-amante  . Narciso cego e o rito unificador de Orfeu  . Dionísio e a fragmentação erótica da carne  . O regime lunar e o regime solar no cromatismo do desejo  . A mulher fálica e os aspectos teriomórficos da angústia noturna  . O macho castrador reage ante a mulher ameaçadora  . O desejo líquido e incerto ante o seio bom e o seio mau  . Imagens líquidas do leite, do sangue, do mênstruo, do sêmen e da urina no jorro da poesia.

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