Às vésperas da programação da independência do Brasil, quarenta e cinco deputados, eleitos nas diversas, reuniram-se a outros cem, eleitos em Portugal luso-brasileiro. Clamaram pela unidade e pela soberania da nação portuguesa e exigiram igualdade no interior do Império. Os debates, registrados nos Diários das Cortes Constituintes de 1821 - 1822, expressam convergências e divergências entre portugueses dos dois lados do Atântico. Os europeus reinvidicavam os direitos tradicionais sobre as colônias da América e os americanos buscavam a formulação de um novo acordo, um pacto político, que possibilitasse a preservação dos poderes locais constituídos durante a colonização. O acompanhamento das propostas para a organização político-administrativo do Estado, discutidas em sessões diárias durante dois anos, permite observar as diversas noções de pertenciamento daqueles que vieram a dirigir o Brasil Império. Eram portugueses pernambucanos, baianos ou paulistas, mais ainda não eram brasileiros. Discordaram dos portugueses europeus, mas encontraram grandes dificuldades para estabelecer um acordo que unificasse os da América. O presente trabalho explora as complexas propostas de acordo apresentadas em Lisboa. Desvenda dilemas de homens que,vivendo a crise do Império portugues, pensam em várias possibilidades para a nova constituição da nação. Portuguesa ou brasileira, ela deveria contemplar a intricada gama de interesses regionais consolidada nos séculos anteriores. Do debate entre esses parlamentares já se pode vislumbrar a proposta do Império brasileiro e a nação que ele formaria: uma associação de elites regionais, brancas e civilizadoras, reunida em torno de um herdeiro do trono português.
A nação como artefato - Deputados do Brasil nas cortes portuguesas, 1821-1822
Márcia Regina Berbel
Hucitec; Fapesp
1999
206 páginas
6h 52m
ISBN-12: 822710475x__
Português Brasileiro
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