Um livro que torna a internet a pior invenção da humanidade.
Desde que as mídias sociais se tornaram parte do cotidiano da maioria das pessoas, textos sobre elas aparecem todos os dias nos jornais, tanto para o bem quanto para o mal. Atualmente no Brasil se discute uma legislação de combate as “Fake News” que traz no seu conteúdo uma tentativa de barrar o discurso do ódio, mas também risco a uma possível destruição da liberdade de expressão. Isso também está em discussão nos EUA através do boicote de várias empresas ao Facebook que se recusa a “filtrar” essas postagens. De qualquer maneira eu diria que estamos começando a discutir mais fortemente esse assunto e o livro da Shoshana Zuboff entra exatamente nesse ponto. A autora tenta em 490 páginas e mais 30 de conclusão discorrer em várias teorias que compravam que as mídias são algo mais para o mal do que para o bem, na verdade a internet é um instrumento do capitalismo para transformar você em matéria-prima para as grandes empresas. Isso mesmo, matéria-prima, pois como essas grandes empresas (Google e Facebook) monitoram todos os seus clicks, elas sabem tudo sobre você, portanto sabem até mais do que você sobre você mesmo e, portanto, elas podem controlar você. Estamos assim de acordo com a autora vivendo a era do Capitalismo de Vigilância que dita seus próximos passos no futuro modificando seu comportamento conforme a necessidade dos anunciantes. Estamos vivendo a tirania da rede – forte hein. O livro vai entrar em filosofia, vai trazer dados de pesquisas de mudança de comportamento e mais um monte de outras informações para provar que estamos em risco, trazendo inclusive trechos de entrevistas com os CEO do Facebook e Google para demonstrar que eles querem mesmo monitorar você e que ninguém nem nenhum governo os impeça, por isso eles pagam fortunas a batalhões de advogados e lobistas em todo o mundo. Isso tudo é explicado de forma extensa e cansativa, dando um caráter didático ao livro e tornando sua leitura cansativa e pouco interessante. Uma das partes mais controvertidas está com comparar a internet com o totalitarismo, chamando esse Capitalismo de Vigilância de “Big Other” que vigia você e com base em dados e algoritmos permite antecipar seus desejos e até mudar seus comportamentos. Isso pode ser comprovado com a vitória de Trump nas eleições americanas que usou dados do Facebook para avaliar os eleitores americanos e vencer uma eleição que os institutos de pesquisas não previam. Porém fica de fora um ponto importante, que as mídias, a internet, permitem ampliar a informação para um número maior de pessoas a um menor custo, permite também agrupar e movimentar grupos que antes não tinham voz, mas agora possuem. Nesse caso se quiser ter um viés mais positivo fique com o livro “O novo Poder” de Henry Timms e Jeremy Heimans que farão críticas também, mas não falam de tirania, fim da intimidade, socialidade, da confiança entre pessoas, etc. O livro é interessante, mas cansativo, peca no excesso de teorias e acaba olhando apenas a parte negativa do assunto, fica parecendo mais uma campanha contra o desenvolvimento da internet e das mídias e não um livro que tenta trazer à tona um problema que precisa ser melhor discutido, que é como as grandes empresas usam nossos dados e até onde elas podem usar.

