Jubiabá -

    Jorge Amado

    Companhia das Letras
    2008
    360 páginas
    12h 0m
    ISBN-13: 9788535913545
    Português Brasileiro

    A história de Antônio Balduíno pode ser lida como a jornada de um homem bruto, de poucas luzes, em direção ao entendimento do mundo e do lugar que nele ocupa. Posfácio de Antônio Dimas. Antônio Balduíno nasce órfão no morro do Capa-Negro, que tinha como grande referência espiritual o centenário feiticeiro e ex-escravo Jubiabá. Depois de uma infância de liberdade e pequenos delitos nas ruas de Salvador, num ambiente similar ao que seria desenvolvido em Capitães da Areia, vira malandro, sambista e desordeiro, até ser transformado em boxeador profissional por um empresário italiano. Encerra a carreira prematuramente ao tomar uma surra no ringue numa noite de bebedeira e acaba indo trabalhar nas plantações de fumo do Recôncavo Baiano. Explorado ao extremo, apunhala um homem, foge, se engaja num circo ambulante, volta a Salvador, vira estivador, faz greve. Ao longo dessas muitas vidas, choca-se contra o mundo das mais variadas formas, até atingir um vislumbre de compreensão da realidade que o cerca e de seu lugar nela. Publicado em 1935, quando o autor tinha apenas 23 anos, Jubiabá constitui um verdadeiro romance de formação e trata de um dos temas mais caros ao escritor - a força da cultura afro-baiana contra a opressão política e as injustiças sociais -, atestando o vigor narrativo de Jorge Amado e seu talento para a criação de personagens vívidos e inesquecíveis. Além de Balduíno e de Jubiabá, merece destaque a branquíssima Lindinalva, por quem o protagonista nutre um amor platônico na pré-adolescência e que reaparece anos depois doente e prostituída. Surgem ainda, de passagem, personagens que retornarão no livro seguinte do autor, Mar morto: o marinheiro Guma, o mestre de saveiro Manuel e sua esposa Maria Clara. A edição francesa de Jubiabá acabou motivando a vinda ao Brasil de franceses ilustres como o fotógrafo e etnólogo Pierre Verger, o escritor Albert Camus e o fotógrafo Marcel Gautherot. Qualificado de "magnífico" por Camus, o romance foi adaptado para o cinema (por Nelson Pereira dos Santos), o teatro, o rádio, a televisão e os quadrinhos.

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    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva05/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    perfume de dendê

    Esse livro é impressionante por muitos motivos. Publicado em 1935, foi o quarto romance de Jorge Amado, quando o autor contava apenas 23 anos. Trata-se de um dos primeiros romances brasileiros que tem um negro como protagonista – e não se enganem, não é o Pai-de-Santo Jubiabá, mas Antônio Balduíno, aventureiro, imperador mendigo, sambista, boxer, lavrador e, finalmente, ativista político. E por falar em Jubiabá, esse também é um dos primeiros livros a descrever de forma consistente alguns rituais e tradições do candomblé. Aqui, nesta obra de juventude, é possível perceber em nível embrionário alguns dos elementos mais marcantes da prosa de Jorge Amado, esse Avatar da Literatura Mundial que escolheu a Bahia como cenário de sua manifestação. Se ainda não alcançou a sublime perfeição de obras como “Tenda dos Milagres” e “Os Pastores da Noite” (só para citar histórias que trazem heróis do povo, assim como Antônio Balduíno), e aqui e ali se deixa seduzir por ingênuas passagens panfletárias, o autor já permeia as páginas de Jubiabá com um inconfundível perfume de dendê. Não o dendê real, do tabuleiro da baiana, mas um dendê imaginário, literário, lírico, que só existe na Bahia inventada por Jorge Amado. Salve Jorge! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2020/06/jubiaba-jorge-amado.html

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