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    Poesia da Recusa -

    Augusto de Campos

    Perspectiva
    2006
    364 páginas
    12h 8m
    ISBN-10: 8527307669
    Português Brasileiro
    4
    43 avaliações
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    Em defesa de Mallarmé, afirmou Valéry, certa vez, que o trabalho severo, em literatura, se manifesta e se opera por meio de recusas; pode-se dizer que ele é medido pelo número de recusas. Da recusa estética (Mallarmé) à recusa ética (Tzvietáieva), se é que ambas não estão confundidas numa só, essa poesia, baluarte contra o fácil, o convencional e o impositivo, ficou à margem e precisa ser lembrada para que a sua grandeza essencial avulte sobre o aviltamento dos cosméticos culturais. Os poetas aqui reunidos têm em comum a bandeira da recusa. Nem todos os poetas apresentados neste livro pertencem, estritamente, à categoria dos 'inventores'. Mas todos são extraordinários artífices do ofício poético, com os quais há muito que aprender. E aqui estão representados, tanto quanto possível, por suas propostas mais radicais, seja pela linguagem seja pela postura ético-estética. De Kuhlmann a Dylan Thomas, a poesia se mostra, aqui, em toda a sua integridade ética e estética. Os textos escolhidos manifestam formas de desacordo com a sociedade ou com a vida, capazes de despertar esse ímpeto revolucionário nos leitores e fazer com que as suas vivências se enriqueçam com a sofrida experiência da recusa poética.

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    Daniel Rodas17/07/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Poesia rebelde

    Poesia da Recusa - Vários Esta coletânea espetacular reúne poemas de alguns dos maiores poetas da literatura ocidental nos últimos séculos, criativamente traduzidos por Augusto de Campos ao longo de seis décadas. São obras de Qurinus Kuhlmann, Alexandr Blok, Mallarme, Ana Akhmtatova, Pasternak, Mandelstam, Serguei Iessienin, Marina Tsvetaieva, Yeats, Stein, Hart Crane, Wallace Stevens e Dylan Thomas, muitas das quais inéditas até então. A recusa mencionada no título se aplica às mais diversas nuances do termo: recusa à opressão, aos padrões estéticos, às imposições religiosas e, considerando a biografia de poetas como Tsvetaieva, Hart Crane, Iessienin e tantos outros, uma recusa à própria vida. São poetas que, em maior ou menor grau, rebelaram-se contra o status geral das coisas, procurando novas formas de expressão poética capazes de captar a mutabilidade da vida. É o caso da poesia barroca e mística de Kulhman, precursora, em pleno século XVII, da técnicas de fragmentação típicas da arte moderna/contemporânea; assim também como é o de Gertrude Stein, que com sua ousadia formal transpôs as fronteiras do poético para além da racionalidade excludente, abrindo espaço para os experimentos estéticos surrealista. Mas há também poetas mais comedidos, como Butler Yeats e Stevens, que conseguem criar um equilibrio perfeito entre a tradição clássica e as formas modernas. Os russos, em especial Mandelstam e Akhmatova, trazem o que há de mais extraordinário na poesia russa do século XX. Por fim, fechando o volume, temos a poesia pungente, vigorosa e intensa de Dylan Thomas, que me tocou profundamente. Uma excelente coletânea para os amantes da melhor poesia.

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    Augusto de Campos

    Augusto Luís Browne de Campos (São Paulo, 14 de fevereiro de 1931) é um poeta, tradutor e ensaísta brasileiro. Estreou em 1951 com o livro "Rei Menos o Reino", quando ainda era estudante da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. É um dos criadores da Poesia Concreta, junto com seu irmão, Haroldo de Campos, e Décio Pignatari, que ao romperem com o Clube de Poesia, lançaram a revista Noigandres.

    40 Livros
    30 Seguidores

    Augusto de Campos