Caligrafia da solidão -

    Maria Joao Cantinho

    Escrituras
    2006
    95 páginas
    3h 10m
    ISBN-11: 8575312308_
    Português Brasileiro

    A lusitana Maria João Cantinho tem a coragem de assumir o fato de que ?a linguagem de poesia não tem limites?. E é esse o princípio de toda a sua criação. Não aceita barreiras à linguagem, ou melhor, a linguagem não lhe aceita barreiras. Ou inventa suas razões na capacidade direta de sonhar. O clima é onírico. E a imobilidade que ocupa este universo é a da palavra que luta contra a habitual inércia, quando o ato de narrar é procedimento de alma, chocando a linguagem andante e a outra, num levantar de aves em arribação. As imagens voam. A imanência e o ser, o medo e o brumor, a inocência e a levidade, a convalescença dos sonhos e os sonhos que se corporificam e integram os viventes, ou a natureza em torno. E Maria João Cantinho, pela limpidez e despojamento, tem algo dos videntes, dos ébrios de eternidade. Os contos se ativam de várias vozes, todas com significação, reflexos do inumerável espelho. Mesmo que a vida se apresente, como vislumbrou Shakespeare, o movimento de "som e fúria ditos por um louco". Entretanto, a loucura, aqui contida, indispensável, parte do cosmos, delírio sadio contra o raciocínio contemporâneo por demais enfermo, que carece de infância e liberdade. E Maria João ama a linguagem e é por ela amada -- o que se torna básico, sem o que não há inventação. Ao deliberar a fábula, desinventa a regra moral. E prova, como grande contista, que não é em vão que somos palavra. E errantes, porque temos destino. Andar é a suprema vidência.

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    Pomar Literário28/04/2017Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    #quote Caligrafia da Solidão

    " Mesmo quando estou só, nunca me sinto assim. Nem me sinto triste. Viajo por dentro e deixo me levar. Se não estivesse só não seria tão livre e não poderia fazer o que me apetece. E sim, mesmo só, eu sou feliz. E não compreendo porque a solidão tras infelicidade... Gosto de estar só, enquanto caminho, tudo me parece mais puro, mais intenso, porque parece ter sido feito a minha medida." Livro de contos, muito bom no todo. Alguns são bem complicados de entender e meio surreais. Mas gostei! O fato de ser português de portugal, (a minha versão pelo menos), dificultou um pouco por causa do vocabulário.

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