Ressurreição

    Machado de Assis

    Editora Lafonte
    2019
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-13: 9788581863672
    Português Brasileiro
    Resenhas (6)Ver mais
    Lucineide Rodrigues  picture
    Lucineide Rodrigues 12/04/2026Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Resolvi colocar o aviso de spoiler na resenha porque não tem como escrever sobre Ressurreição sem contar o que aconteceu. Não vou mentir: esse livro mexeu comigo, pois me fez lembrar de algo que eu passei num passado não tão distante assim. Mexeu numa ferida que eu venho, com muito esforço, tentando fechar pra que ela cicatrize. Em Ressurreição, Machado de Assis nos traz a história de Félix e Lívia. Ele, um médico de 36 anos que já não exerce mais a profissão por ter recebido uma boa herança; e ela uma viúva de 24 anos. Os dois se conhecem por intermédio de Viana, irmão de Lívia, e daí nasce um romance. Só que não é qualquer romance. Félix tem problemas de confiança e, ao longo da história, faz questão de deixar isso bem claro. Qualquer boato que ele escute sobre Lívia, ele acredita, mesmo não sendo verdade. Vai se corroendo e corroendo Lívia junto. Suposições, ciúmes, cartas acusatórias, silêncio e Lívia lá, aguentando tudo isso, convencendo-o a reatar o namoro, que nem público é. E no final? Quando os dois vão se casar (com mil separações antes), o relacionamento já é de conhecimento dos outros, Félix recebe um bilhete anônimo acusando Lívia de ter matado o falecido marido e o que Félix faz? Acredita no BILHETE ANÔNIMO, envia uma carta pra Lívia desmanchando o noivado e vai embora pra longe. Isso um dia antes do casamento. E ele acredita na inocência dela só quando um conhecido deles vai atrás de Félix, a pedido de Lívia, e o faz enxergar o absurdo desse bilhete e até o possível autor dele. Aí, sim, ele volta, pede perdão, quer se casar, e Lívia, depois de passar mal por causa dessa situação, decide romper de vez o noivado por ver que esse relacionamento não iria a lugar nenhum. Gente, eles passaram 1 ano nessa situação, nesse namoro tóxico, e Lívia sustentando tudo. Mas, calma, ela tinha noção de que não fazia nada de errado. Ela não se deixava contaminar totalmente pelas acusações de Félix. Ela era sensata. Mas o que acontece? Vamos nos cansando de sempre precisarmos nos justificar, nos desculpar. Lívia mencionou que esse amor que sentia por Félix a envenenava e com razão. No final, eles se separaram, mas vemos, no último capítulo, o que aconteceu 10 anos depois de tudo isso. E adivinhem? Lívia ainda carrega essa dor, nunca voltou a ser como antes, e Félix, em pouco tempo, se esqueceu de tudo isso. É como diz aquele ditado popular: “quem bate esquece, quem apanha não”. Em relacionamentos disruptivos, quem mais se doa, perdoa, aceita tudo em nome de um “amor” sofre e precisa de muito tempo pra tentar a voltar a ser 1% do que era antes de tudo. Em compensação, o outro lado, aquela pessoa que sai como se nada tivesse acontecido, vive sua vida em paz porque não tem nada pra se arrepender, não tem nada pra se curar. Agora, vou tentar voltar à razão. Essa não foi uma resenha normal, porque, enquanto eu lia, sentia o que Lívia passava, mesmo não sendo descrito. Na verdade, todos os casais mencionados no livro são exemplos de relacionamentos tóxicos. Ressurreição é um daqueles livros pra se sentir, lá no fundo, e perceber como o ato de se relacionar pode ser incerto e perigoso. Em muitos trechos, eu fiquei com raiva do Félix porque ele trata o “amor” como se fosse nada, só uma diversão, e quando começa a namorar Lívia, não consegue ter um relacionamento tranquilo, porque a sombra da desconfiança paira no coração dele. Pra ele é mais fácil acreditar em desconhecidos do que em quem está ao lado dele. Não vou me prolongar, porque só lendo pra sentir.

    8 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 22
    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%