Partindo de uma análise aprofundada do trágico enquanto conceito filosófico - na qual se acrescenta à teoria de Aristóteles, princípios de Goethe, Hegel e Schopenhauer -, Albin Lesky propõe aqui uma teoria da tragédia, aplicando-a à obra dos três grandes trágicos da Grécia clássica, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, analisada peça por peça, em suas implicações artísticas e existenciais. Juntamente com a exposição da obra dos precursores, assim como das obscuras origens no ritual dionisíaco e, por outro lado, da produção da decadência, no Pós-Classicismo,' A Tragédia Grega' é uma síntese sistemática e atualizada do mundo da Tragédia Grega, minuciosamente estudado do ponto de vista cultural, literário e teatral.
A Tragédia Grega - Teatro
Albin Lesky
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Eu gosto muito de uma escrita direta e incisiva na qual o autor expõe os problemas, as teses, faz uma aferição e depois, se tiver, oferece a própria tese sobre a questão ou adere a uma das posições já estabelecidas. Esse é o método que guia Alvim Lesky nesse livro cujo objetivo precípuo é oferecer ao leitor uma exposição introdutória da Tragédia Grega. Para isso, o austríaco lança mão de conhecimentos retidos até a primeira metade do século passado e das descobertas arqueológicas de papiros com fragmentos das peças da tríade grega da arte trágica da ática jo século V a.c. (Ésquilo, Sófocles e Eurípides). Como se trata de uma obra antiga, da segunda metade do século passado, não aborda as descobertas mais recentes, que, no entanto, apenas enriquecem o quadro que fundamenta a obra, sem alterá-lo de forma fundamental. Dito isso, o autor inicia por meio da conceituação e contextualização do trágico na humanidade como um toda e na Grécia, procurando elementos comuns e dissonantes, na medida em que tenta, e consegue, trazer ao leito o singular dessa arte, bem como os fundamentos e os aspectos. Depois do capítulo introdutório, ele passa para textos longos sobre o trabalho e as peças de Ésquilo, Sófocles e Eurípides em capítulos extensos e dedicados a cada um dos autores gregos. Ele foca no estilo de cada um, nas premissas que levam a adotar e construir peças em mitos comuns e na visão particular de cada autor sobre o elemento trágico e sobre o que os deuses são, como se comportam e como escolhemos retratá-los nas peças com os outros personagens humanos. De maneira geral, um dos subtextos nesses três capítulos seguidos é como os mitos fundamentam a encenação e com um processo de secularização influência na tragédia. Posteriormente, tem-se um capítulo sobre a tragédia posterior, notadamente do século IV a.c que é tão breve quanto as informações e peças que chegaram até nós desse período. Uma conclusão igualmente breve que realça as conclusões que o autor aborda durante os capítulos sobre os três grandes autores e a importância do aeu trabalho para o ocidente. Há, por fim, comentários sobre as obras utilizadas como fontes a época, sobre a perda de quase todas as peças e quanto não se sabe sobre a tragédia grega como um todo. É uma leitura desafiadora e gratificante.
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