As Diretrizes são de 2019, e servem para orientar todo o processo formativo dos futuros presbíteros da Igreja no Brasil. As Diretrizes formam uma Ratio Nacionalis, fundamentada na Ratio Fundamentalis (2016) e tendo em vistas as Diretrizes para ação evangelizadora (Documento 109 da CNBB) que pedem um tempo forte de missionariedade para a Igreja e por isso visa formar presbíteros animadores da vida comunitária. Já na apresentação do documento ressalta-se a importância de presbíteros em saída, acolhedores e misericordiosos: Trata-se de um modelo de presbítero, com a coragem de alcançar todas as periferias geográficas e existenciais que precisam da luz do Evangelho, em uma atitude acolhedora e que seja misericordiosa (CNBB, Doc. 110, p. 13). Este é um desejo do papa Francisco desde o início de seu ministério petrino. No capítulo 1, são apresentadas as coordenadas da formação, onde se elenca os temas do contexto como desafio, os fundamentos teológicos e o processo formativo com suas etapas. O seminário de hoje tem a missão de formar presbíteros capazes de dialogar com a realidade plural e atuar pastoralmente no meio do Povo, valorizando os leigos e leigas em seus diversos carismas, serviços e ministérios (cf. CNBB, Doc. 110, n. 7). Entre os desafios da prática pastoral, relembra-se um fundamento teológico fundamental: o sacerdócio ministerial está a serviço do sacerdócio comum dos fiéis. O presbítero não é um mero delegado ou representante da comunidade, mas é um dom para ela. O fato de configurar ao Cristo-Cabeça não faz do presbítero alguém acima dos demais fiéis. O documento de Aparecida já destacava como desafios as instâncias eclesiais não impregnadas do espírito missionário, como paróquias muito grandes, paróquias muito pobres que levam os padres há buscarem outros meios de subsistência, às vezes em detrimento do ministério, paróquias em regiões de extrema violência e insegurança, além da falta e má distribuição de presbíteros. Além disso, os novos rostos dos pobres, a realidade urbana, os novos areópagos e centros de decisão, a nova compreensão de paróquia como comunidade de pequenas comunidades, que implicam um modelo de presbítero, com a coragem de alcançar todas as periferias geográficas e existenciais que precisam da luz do Evangelho, em uma atitude acolhedora e que seja misericordiosa. Para enfrentar estes desafios é urgente uma conversão pastoral que promova a passagem de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária, capaz de inspirar atitudes de autoavaliação das estruturas eclesiais, inclusive no campo da formação, pois constata-se falta de espírito missionário em membros do clero desde a Conferência de Aparecida (cf. CNBB, Doc. 110, n. 13-19). As Diretrizes ressaltam algumas imagens e aspectos da identidade do presbítero construídas ao longo da história, a saber, presbítero, pastor, profeta, servo, missionário, padre, sacerdote, esposo, perito em humanidade, homem da proximidade, homem da misericórdia, homem de oração, homem de sacrifício, irmão universal (cf. CNBB, Doc. 110, n. 41). No capítulo 2 encontra-se o itinerário da formação presbiteral, e talvez seja digno de nota a seguinte citação: reconheçam e corrijam a mundanidade espiritual: obsessão pela aparência, uma segurança doutrinal ou disciplinar presunçosa, o narcisismo e o autoritarismo, a pretensão de impor-se, o cuidado somente exterior e ostentado com a ação litúrgica, a vanglória, o individualismo, a incapacidade para escutar o outro e todo gênero de carreirismo (CNBB, Doc. 110, n. 67). O capítulo 3 trata do período do primeiro discernimento: Pastoral Vocacional e Seminário Maior. O capítulo 4 que trata do período da formação inicial: Seminário Propedêutico e Seminário Maior, com todas as suas etapas. Mediante o auxílio específico dos formadores, do acompanhamento do diretor espiritual, do convívio com seus companheiros de seminário e da vida pastoral ao lado do Povo de Deus, vai sendo composto o itinerário pedagógico para o desenvolvimento interior que sustentará, motivará e confirmará o seminarista ao longo de seu crescimento no amor a Cristo e ao próximo em comunhão com todo a Igreja (CNBB, Doc. 110, n. 145). Na etapa de configuração ou teológica se faz uma opção por manifestar que o seminarista busque se configurar a Cristo, Pastor e Servo, onde se pressupõe que a dimensão pastoral seja fundamental para ser Pastor e Servo (cf. CNBB, Doc. 110, n. 147). Após a apresentação das etapas se estabelecem os critérios para o ingresso no seminário, onde se destaca: capacidade de situar-se com equilíbrio entre a afirmação das próprias convicções e a abertura ao diálogo com o mundo plural (CNBB, Doc. 110, n. 152, item h). Além disso elenca algumas tarefas do seminário, sobretudo, a promoção da integração entre as dimensões constitutivas do processo: articular a formação intelectual com a prática pastoral e a vivência espiritual, em vista de um discipulado autêntico (CNBB, Doc. 110, n. 159, item e). Todo o processo formativo possui uma característica eminentemente comunitária. De fato, a vocação ao ministério presbiteral é um dom que Deus concede à sua Igreja e ao mundo, uma via para se santificar e santificar-se os outros, que não se percorre de maneira individualista, mas sempre havendo como referência uma porção concreta do povo de Deus. Tal vocação é revelada e acolhida no interior de uma comunidade eclesial e forma-se no Seminário, no contexto de uma comunidade educadora que compreende vários componentes do povo de Deus, para conduzir o seminarista, mediante a Ordenação, a fazer parte da família do presbitério, ao serviço de uma comunidade de fiéis. A vida comunitária coloca o formando diante de duas realidades fundamentais na vida do presbítero: a comunhão de fé com o bispo e com todo o presbitério. Ela é um elemento precioso e iniludível na formação daqueles que serão chamados no futuro a exercer uma verdadeira paternidade espiritual nas comunidades a eles confiadas. Cada candidato que se prepara ao ministério deve sentir cada vez mais profundamente o desejo pela comunhão com todo o povo de Deus, a quem deve estimar, servir e amar (CNBB, Doc. 110, n. 171-172). Ainda com relação à vida comunitária, as Diretrizes notam que, esta, somada ao trabalho pastoral nas comunidade será a garantia de que o formando fará uma boa experiência de Igreja enraizada no Evangelho, capaz de desenvolver a solidariedade aos mais pobres e vivendo a conversão pastoral que a vida comunitária exige, poderá ver a riqueza na comunidade na diversidade (cf. CNBB, Doc. 110, n. 175). Procure-se manter no seminário um clima de confiança e respeito mútuo, de expressão sincera de sentimentos, de participação progressiva no planejamento e na disciplina da vida comunitária. Ajude-se a perceber a dimensão positiva dos conflitos e a procurar a solução deles no diálogo franco e aberto. A vida da comunidade deve preparar o formando para a vida presbiteral sustentada pelo exercício de diálogo, pelo respeito às diferenças e pelo trabalho em equipe (CNBB, Doc. 110, n. 176). Entre os objetivos específicos da formação humana destaca-se: colaborar e trabalhar em equipe para que, quando presbítero, exerça uma liderança que, sem autoritarismo, favoreça a missão da Igreja e o crescimento do Reino de Deus (CNBB, Doc. 110, n. 190, item h). Entre os objetivos específicos da formação espiritual destaca-se: contemple a ação do Espírito de Deus agindo no meio do povo e não se sinta dono do povo, mas seu servidor; assuma, em seu trabalho pastoral, tarefas humildes e simples em espírito de serviço; desenvolva uma espiritualidade encarnada de índole eclesial, superando tendências intimistas (CNBB, Doc. 110, n. 208, itens c, f, h). Chama a atenção também o seguinte: as avaliações e opiniões da comunidade eclesial, ou de seus representantes qualificados, sejam ouvidas e levadas em conta para o discernimento da Igreja sobre a admissão ao diaconado e ao presbiterado. Portanto, ninguém seja ordenado se não tiver feito uma experiência pastoral positiva (CNBB, Doc. 110, n. 240). No capítulo 5 serão lançadas as linhas para elaboração do Projeto Formativo. Segundo as Diretrizes, o princípio que deve reger a elaboração do projeto formativo é o da participação e comunhão, envolvendo toada a equipe da formação: o bispo e a comunidade formativa do seminário. O seminário como casa proporciona uma estrutura de convivência mais pessoal e humana, em que os conflitos são superados de maneira direta e construtiva. O seminário terá como característica fundamental a fraternidade (...) A equipe formadora ajuda a promover relacionamentos autênticos em clima de liberdade, e confiança, fomentando a familiaridade entre formadores e formandos (CNBB, Doc. 110, n. 322 - 323). O capítulo 6 orienta sobre ritos, ministérios e ordenações. Por fim, o capítulo 7 tratará sobre a formação permanente, onde se pode destacar a importância da formação permanente para uma prática pastoral mais condizente com tempo em que se cumpre a missão, sempre levando em consideração os novos desafios que a sociedade apresenta.

