A figura de Medéia é uma identificação ainda válida no momento atual. Na apresentação de Eurípedes, ele representa o aspecto "feminino sombrio", portador de valiosas energias, que só podem ser liberadas no ego de uma mulher quando esta ousa olhar para o interior dessa "sombra" e ir sem medo ao seu encontro. Nas mais antigas tradições, ela surge como a imagem oposta à mulher demasiado dócil e retraída criada pelo patriarcado, como um símbolo da dignidade, sabedoria e competência femininas, que as mulheres atualmente procuram reconquistar. A partir da tragédia de Eurípedes, Medéia, que matou por ciúme os próprios filhos, tornou-se a imagem negativa da mulher. O conflito de relação entre Medéia e o marido Jasão, que a abandonou por causa de uma mulher mais jovem, é a imagem original de um drama que continua atual em nossos dias. Para a mulher forte e inteligente, a paixão torna-se uma fatalidade e a deusa Medéia, doadora de bênçãos, converte-se numa esposa ciumenta, objeto de desprezo. de que modo ela retorna a si mesma e readquire sua autoridade? O propósito deste livro é aprofundar e responder com valiosos achados a essa indagação.
Medéia - O Direito à Ira e Ao Ciúme
Olga Rinne
Cultrix
1988
146 páginas
4h 52m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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