Esse livro foi uma surpresa; e foi uma surpresa super agradável. O Marcelo não é um escritor muito conhecido, mas ele tem uma boa técnica de escrita, além de ser bastante criativo. E eu adorei tanto a história quanto o modo de ele narrá-la, mesmo que essa narração se alternasse entre a primeira e a terceira pessoa sem aviso; mesmo assim, eu não me perdi. O livro consegue uma boa mistura entre o real e o místico numa trama que podia muito bem ser real de tão bem atrelada aos fatos reais, como ela está.
Opus Generalis segue o detetive Adrualdo em busca de um assassino em série que usa de requintes de crueldade e recursos surreais para cometer seus crimes. Adrualdo precisa descobrir quem é o assassino antes que ele faça outras vítimas, mas antes precisa dar conta de um colega exibicionista, enfrentar a pressão da sociedade e ter tempo para sua família. Ainda existe espaço para o místico nessa história quando um grupo de alunos de faculdade se envolve com um doutor peruano e seu culto à Ai apaec, um deus da mitologia Mochica.
Eu adorei o rumo que a história tomou porque, para mim, ela era inédita e inesperada. Além de ser um romance policial com o ritmo conhecido do gênero, esse livro ainda envolve um crime causado por uma entidade sobrenatural... Ou isso foi apenas uma histeria coletiva? Não dá para falar muito sobre o livro sem dar spoiler, mas os personagens são bem construídos, empáticos e verossímeis também, e os acontecimentos tem um tom sangrento e grotesco, com braços arrancados, cabeças separadas de seus corpos e corpos em avançado estado de putrefação.
Um ótimo romance brasileiro, que deveria ganhar mais crédito.
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