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    O lápis do carpinteiro -

    Manuel Rivas

    Edicións Xerais de Galicia
    2005
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-10: 8483022613
    Português Brasileiro
    3.5
    16 avaliações
    Leram24Lendo1Querem25Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos0Desejados25Avaliaram16

    O lapis do carpinteiro é unha historia de amor, melancolía e liberdade. Un grande amor en tempo de guerra e posguerra que chega ós nosos días entre Marisa Mallo, unha fermosa moza de Fronteira, filla dunha familia reaccionaria e o médico republicano Daniel Da Barca, posuídor da beleza tísica e seguidor da teoría da realidade intelixente do doutor Nóvoa Santos. Fronte a eles a mirada escrutadora dun home que non tiña medo, Herbal, o garda da cadea da Falcona que verá restaurada a súa condición de ser humano por obra e gracia de tantas formas de amor como o lapis do carpinteiro lle foi ensinando a debuxar. O lapis do carpinteiro é testemuño dunha traxedia curativa, unha metáfora de tódalas guerras, unha loita contra o esquecemento que demostra o poder salvífico do amor. Esta excepcional novela ficará no lector gravada coma un engrama, coma o sulco dunha cicatriz que rescata o mellor da nosa memoria.

    Resenhas (1)Ver mais
    Stella Franco picture
    Stella Franco05/08/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Boa surpresa!

    O Lápis do Carpinteiro – Manuel Rivas O pano de fundo deste livro é a Guerra Civil Espanhola, e não me lembrava de nada sobre esse evento histórico. Então fui pesquisar o assunto do livro, que fala de galegos e portugueses, Santiago de Compostela, Fronteira e General Franco, Galícia, Frente Popular. Adorei saber sobre todos os assuntos e pude embarcar no livro com mais interesse e entendimento. O livro começa com um jornalista, Sousa, indo entrevistar Da Barca, um doutor que vivenciou toda a Guerra, além de ter sido um preso político. O jornalista fica admirado com a beleza da esposa do entrevistado, Marisa, e de como eram entrosados e ainda se amavam apesar da avançada idade. E ficamos sabendo então do seu amor, da sua prisão, de seus amigos de prisão, do carcereiro e de todas as suas transferências e quase morte. Mas nada o desanimava. Adorava a vida, tinha sempre esperança, além de ser um ótimo contador de histórias, um ótimo médico, solidário, amigo e com tiradas inteligentes de humor. Tinha um inimigo feroz, Herbal, que narra uma parte da história, em retrospecto a uma amiga, Maria da Visitação. Tudo começa quando a amiga o vê desenhando com um lápis de carpinteiro, e ele conta como aquele lápis foi parar em suas mãos. Herbal havia gostado de Marisa desde sempre, mas da Barca conquistou-a, e ele passou a detestá-lo e quando, por força da vida, tornou-se carcereiro, fez de tudo para infernizar a vida do inimigo. Mas, apesar das várias tentativas, inclusive, de duas tentativas de levá-lo à morte, nenhuma logrou muito efeito, apenas a última em que o transferiu para bem longe da amada, quando foi transferido para o presídio de La Coruña. “Quem voltava da viagem à morte passava a fazer parte de uma ordem distinta da existência. Às vezes perdia o senso e a fala pelo caminho. Para os próprios “passeadores” tornava-se uma espécie de ser invisível, imune, que devia ser ignorado por um tempo, até que recuperasse sua natureza mortal”. (pg. 55) Entre os vários amigos de prisão, o Pintor, terá um papel na história bastante interessante. Ele pinta um painel bíblico na Falcona, prisão em Santiago de Compostela, onde cada figura acaba sendo representada por cada um dos seus amigos de prisão. Mas o importante do Pintor, é que após ser “liberado” para a morte, Herbal herda seu lápis de carpinteiro, e também herda uma narração diária ao pé do ouvido, onde o morto fala com o carcereiro, e de alguma maneira o acalma, o direciona, esclarece fatos, que o fazem, bem no fundo daquela pessoa amarga, encontrar algo de bom, um alívio para sua vida tão ruim e sem esperança. “O mar era a penumbra. Eu não queria pintá-lo. Queria que ouvissem-no como uma ladainha. Pintá-lo é impossível”. (pg. 74) E uma das cenas que mais me emocionou, e que é de uma sensibilidade ímpar foi quando Da Barca junto com Gengis Khan, um dos prisioneiros, vão ao refeitório e o doutor faz uma simulação, uma hipnose no amigo, e o faz pensar que estão comendo uma comida diferenciada. “Olhava para ele fixamente, prendendo-o na claraboia dos olhos, e alguma coisa estava acontecendo, pois Gengis Khan deixou de rir, vacilou por um momento, como se estivesse num lugar alto e sentisse vertigens, e depois ficou estático. O doutor Da Barca levantou-se, rodeou a mesa e fechou-lhe suavemente as pálpebras, como se fossem cortinas de renda”, (pg. 70) Outro fato interessante é que na prisão política, havia tanto anarquistas quanto comunistas, e tornaram-se solidários contra Franco, contra os falangistas, que se diziam republicanos. Um livro que me surpreendeu, cheio de poesia, solidariedade, esperança, amor, compaixão, e claro uma guerra política, autoritária, onde se julga que o outro ou a ideologia do outro é a errada. E “no primeiro de abril de 1939, Franco assinou a declaração de vitória”. (pg. 83)

    2 curtidas

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    Avaliações

    3.5 / 16
    • 5 estrelas19%
    • 4 estrelas13%
    • 3 estrelas63%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas0%
    Manuel Rivas Barrós profile picture

    Manuel Rivas Barrós

    Manuel Rivas, escritor e jornalista, é um dos autores mais reconhecidos no panorama atual da literatura galega e espanhola. A sua obra ficcional é vasta: "Un millón de vacas" (1989), que recebeu o Prémio da Crítica Espanhola no mesmo ano; "Os comedores de patacas" (1992); "Que me queres, amor?" (1996), Prémio Torrente Ballester e Prémio Nacional de Narrativa; "O lápis do carpinteiro" (1998) e "Os libros arden mal" (2006), ambos galardoados com o Prémio da Crítica espanhola, são alguns dos seus romances mais importantes. Conta ainda com uma variada obra poética, recolhida em parte na antologia "O pobo da noite" (1997), e vários poemários, como "A desaparición da neve" (2009) e "A boca da terra" (2015). Algumas das suas obras, nomeadamente "A língua das borboletas" (1998) e "O lápis do carpinteiro" (1998), foram adaptadas ao cinema.

    25 Livros
    0 Seguidor
    Madri, Espanha

    Manuel Rivas Barrós