Como já dizia Ken Watanabe: 'Se vc vai pro cinema com um manual completo de como assistir ao filme e o filme segue o manual de como um filme deve ser feito, isso não é entretenimento!' Na minha opinião, isso vale o mesmo para os livros.
O livro tem que ser surpreendente, te prender na história do início ao fim, te trazer material para comentar sobre e além disso, te pressionar a terminar e ao mesmo tempo te deixar triste por finalmente virar a última página.
A mão esquerda de Deus é exatamente assim! Apesar de ser um livro para meninos, cuja aventura sombria (e bastante violenta, devo acrescentar!) gira em torno de 3 meninos que fogem do Santuário onde eram torturados e tratados como animais desde pequenos, a história tem uma visão romântica que vai conquistar qualquer público romântico.
A história de Thomas Cale (o personagem principal) se passa numa época que teoricamente seria a Inglaterra dos tempos medievais (numa realidade paralela, óbvio), mas que poderia se passar tanto em Roma na era dos imperadores como na Mongólia junto com os seguidores de Genghis Khan! É atemporal e completamente real. Você percebe a sutileza dos detalhes em tudo que Cale vive. É fácil se identificar com os personagens!
Thomas Cale é um menino atípico, embora tenha a inteligência e força brutal heróicas comuns nos livros de 'guerreiros'. A diferença é que Cale é obscuro, não tem absolutamente nenhum carisma e faz inimigos com muita facilidade e foi ensinado a não confiar em ninguém. Algo nele chama muito a atenção das pessoas, mas não para o bem e isso te intriga o tempo todo. Vc acha que ele pode fazer uma coisa e ele acaba te surpreendendo.
Esse livro é o primeiro de uma trilogia (cujo detalhe só descobri quando estava terminando - para aumentar o meu desespero) e promete uma vasta sequência de informações sobre o passado de Cale e das manobras enigmáticas dos Redentores...
Alguém me falou uma vez que não gostava muito de livros que falavam de religião e que, por isso, temiam ler este. Devo dizer que apesar dos Redentores serem o equivalente aos padres na época da Inquisição, e o Santuário resguardar sentimentos sagrados pelo 'enforcado' que seria o equivalente a Jesus, e toda a história girar em torno de um rapaz que pode ser o 'Anti-Cristo' em pessoa... a religião é um mero acaso.
Peço desculpas pela audácia da resenha, mas não consegui me conter. Não posso me segurar quando vejo em minhas mãos o poder de divulgar um dos melhores livros que li nos últimos tempos! Eu realmente gostei muito e espero ansiosamente pela continuação... Mas admito que não é um livro de gostosa leitura no sentido da diversão. O livro é pesado e traz referências bastante fortes a assuntos que podem incomodar algumas pessoas. E digo mais: É sério quando afirmo que este é um livro para meninos. Hehe.
Mas, desde já, deixo bem claro: Quem gosta de ler livro bom, não vai se arrepender!