#28: Mute Print - Max Andrade
Comecei a conhecer mais quadrinhos mudos recentemente, durante uma matéria na faculdade. Até então só conhecia e tinha lido "Um pedaço de madeira e aço" do artista francês Chabouté, e "A chegada", do australiano Shaun Tan. E eis que este mangá me foi apresentado por um colega de faculdade que está cursando a mesma matéria, e que faz estágio em uma biblioteca que frequento (e que já estagiei também). Não fosse ele talvez eu nunca tivesse tido acesso a estas histórias.
E não fosse esta leitura eu também não saberia que existe uma competição mundial desde 2013 somente com quadrinhos mudos, o SMA (Silent Mute Audition). Mute Print é um trabalho do brasileiro Max Andrade, e reúne 8 histórias que ele compôs entre 2015 e 2018 para diversas edições do SMA e ganhou algumas, inclusive. São 8 narrativas curtinhas que abordam uma família (mãe e filho) pobres, um bebê tão encantado com uma borboleta que quase cai de uma árvore (é o bebê que ilustra a capa), encontros e desencontros e expectativas frustradas, mas a que mais me marcou foi a de um grupo de amigos de infância que durante um encontro, já adultos, ficam presos em seus smartphones, compartilhando e curtindo nas redes sociais uma foto do encontro enquanto este ainda está acontecendo, uma crítica ao nosso comportamento atual, que continua pertinente, ainda que meio batida e clichê.
O livro segue aquela clássica orientação de leitura oriental, o que para nós seria um "de trás pra frente", e foi publicado no ano de 2019, em edição independente. Foi uma grata surpresa e uma ótima experiência de leitura, como todo quadrinho mudo costuma ser para mim.