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    Perspectivas decoloniais (Pensamento feminista hoje) -

    Heloisa Buarque de Hollanda

    Bazar do Tempo
    2020
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9788569924784
    Português Brasileiro
    4.7
    54 avaliações
    Leram87Lendo36Querem422Relendo1Abandonos3Resenhas11
    Favoritos7Desejados422Avaliaram54

    A perspectiva decolonial é uma das mais atuais e contestadoras linhas do pensamento feminista contemporâneo, reivindicando a desconstrução de leituras hegemônicas sobre a mulher e o discurso de feministas oriundas dos países historicamente dominantes. Como reação ao processo de colonização – histórico e intelectual – o pensamento decolonial irrompe o cenário do feminismo com novas teorias e novos questionamentos sobre o problema do gênero, raça, classe e da própria epistemologia. Para apresentar um panorama do pensamento decolonial feminista, o livro reúne trabalhos de 22 autoras que dimensionam essa fundamental contribuição para o debate atual, apresentando pensadoras pioneiras, como a argentina María Lugones; a nigeriana Oyèrónké Oyěwùmí, que questiona os conceitos ocidentais de gênero a partir da experiência iorubá; a dominicana Yuderkys Espinosa Miñoso, que investiga a experiência histórica feminina na América Latina; a boliviana Julieta Paredes, que conjuga ideias e ativismo em defesa do feminismo comunitário; e as brasileiras Luiza Bairros, que enfatiza a expressão do feminismo negro, e Maria da Graça Costa, que aponta para novas propostas, como o ecofeminismo. As artes plásticas também são tomadas aqui com um discurso. E nesse campo, destacam-se os trabalhos decoloniais das brasilerias Adriana Varejão, Rosana Paulino e Marcela Cantuária. “Categorias e questões consolidadas pela comunidade acadêmica feminista tornam-se arenas de disputa e invenção. Como construir um feminismo sem levar em conta as epistemologias originárias? Sem absorver as gramáticas das lutas e dos levantes emancipatórios que acompanham nossas histórias? Como podemos reconsiderar as fontes e conceitos do feminismo ocidental? Uma nova história, novas solidariedades, novos territórios epistêmicos impõem urgência em ser sonhados”, aponta a organizadora Heloisa Buarque de Hollanda. As autoras reunidas são: Adriana Varejão, Alba Margarita Aguinaga Barragán, Alejandra Santillana, Angela Figueiredo, Claudia de Lima Costa, Dunia Mokrani Chávez, Julieta Paredes, Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, Marcela Cantuária, Maria da Graça Costa, María Elvira Díaz-Benítez, María Lugones, Marnia Lazreg, Miriam Lang, Ochy Curiel, Oyèrónké Oyěwùmí, Rosana Paulino, Suely Aldir Messeder, Susana de Castro, Thula Rafaela de Oliveira Pires, Yuderkys Espinosa Miñoso.

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    Resenhas (11)Ver mais
    Rodrigo | @muitacoisaescrita picture
    Rodrigo | @muitacoisaescrita08/12/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O feminismo decolonial tem ocupado destaque na derrubada da concepção da mulher hegemônica — pensada como branca, cis, heterossexual, pequeno burguesa e oriunda do centro capitalista (da “civilização”) — presente nas teorias e práticas feministas. Em nome da “ordem” e “progresso”, a partir da elaboração de homem universal e o que seria civilização, vários países em África, Ásia e na América foram colonizados. Similarmente, mesmo que não no mesmo período, pode-se dizer que foi construído o conceito universal de “mulher”, servindo, portanto, para ocultar outras formas de opressão, como o racismo e imperialismo. ⠀ O livro é divido em três partes. Nesta resenha, irei falar sobre dois textos das duas primeiras partes. A terceira parte é composta de obras de arte, daí optei por compartilhar nos stories algumas delas. ⠀ O artigo de Lélia Gonzalez (“Por um feminismo afro-latino-americano”) que abre a coletânea é mais um de seus esforços para elaborar sua concepção de amefricanidade, com o objetivo de levar em consideração — ao criar teorias, tecer críticas, propor estratégias de luta, etc — o passado histórico do povo amefricano. Para Lélia, o feminismo brasileiro, enquanto teoria e prática, desempenhou papel fundamental nas lutas e conquistas. No entanto, não deu a devida atenção às questões raciais, mantendo, portanto, “uma visão de mundo eurocêntrica e neocolonialista da realidade”. Enquanto em outros países a questão racial foi utilizada como forma de se unir e lutar contra à colonização, na América Latina foi diferente. Isso não quer dizer que não houve, por exemplo, um movimento abolicionista ou outras estratégias de resistência pelos povos escravizados, mas que a questão racial foi amansada pelas elites, que declaravam uma suposta “harmonia de raças”, uma “democracia racial”. Nesse sentido, a ideologia do branqueamento foi bastante usada (ver imagem 2). Daí a necessidade, para Lélia, de um feminismo afro-latino-americano que articule “raça, classe, sexo e poder”. [resenha publicada no meu Instagram Literário @muitacoisaescrita; confere lá a resenha completa e alguns trechos do livro: https://www.instagram.com/p/CH3Ol3WD_As/]

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    Heloísa Helena Oliveira Buarque de Hollanda  profile picture

    Heloísa Helena Oliveira Buarque de Hollanda

    Mestre e doutora em Literatura Brasileira e pós-doutorado em Sociologia da Cultura, é coordenadora do PACC/UFRJ, diretora da Aeroplano Editora e Consultoria e curadora do Portal Literal.

    33 Livros
    28 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Heloísa Helena Oliveira Buarque de Hollanda