Nesse livro curto, Massimi procura, na história da propagação de “ideias psicológicas” no Brasil, o que pode haver de original no desenvolvimento e na consolidação da psicologia brasileira, para além da implantação de doutrinas europeias e americanas. A autora também quer investigar as raízes do interesse pela psicologia no Brasil. Porém, ela aponta algums obstáculos para essa pesquisa: a falta de memória/o esquecimento que atinge a cultura brasileira, que com frequência desconhece o seu passado; um certo “complexo de inferioridade” em relação ao que é produzido intelectualmente aqui; e a desvalorização de conhecimentos ditos pré-científicos. Muito interessante é a constatação, com a leitura, de que, antes da psicologia se consolidar como ciência autônoma no Brasil, conhecimentos relativos a ela já são elaborados e transmitidos em território nacional, e utilizados na prática, como na educação e na medicina. Porém, é especialmente no século XIX que a psicologia se institucionaliza, enquanto disciplina de ensino e recurso: nesse momento histórico, o saber sobre a subjetividade é relevante para o projeto social e político do Estado moderno e capitalista. Além disso, nesse período (Brasil do s. XIX), o passado colonial é visto negativamente, e a produção intelectual da época colonial é desconhecida, apagada, não retomada. Por fim, a psicologia se consolida como ciência autônoma com o advento do positivismo, que sustenta que tudo pode ser explicado se for submetido a uma investigação científica, e isso inclui a subjetividade humana. No final do XIX e início do XX, a psicologia no Brasil foi se desenvolvendo dentro da medicina, em escolas, hospitais psiquiátricos, e laboratórios de psicologia experimental. A autora aponta a proximidade entre psicologia e pedagogia ao longo da história, com muitos autores defendendo a necessidade de se ter conhecimentos psicológicos para realizar a educação do homem. Em conclusão, Massimi lembra que a história é continuamente reescrita à luz dos interesses contemporâneos, e que ela realizou “apenas” uma interpretação possível da história da psicologia brasileira, com base em muitos recortes e fontes, espalhadas por séculos e por diversas instituições — nesse sentido, impressiona como a autora conseguiu condensar suas pesquisas num livro de 80 páginas. Finalmente, ela defende a recuperação e a preservação do patrimônio histórico da psicologia contemporânea (ela estava falando da psicologia do século XX, contemporânea dela, e que não era o enfoque do livro). A autora sustenta que conhecer a história da psicologia e preservá-la é um “recurso essencial para a formação da consciência crítica do psicólogo brasileiro, pois lhe permitiria situar e entender a psicologia no âmbito do mais amplo contexto cultural, social e político, libertando-o de um tecnicismo muitas vezes apontado entre as falhas graves da profissão”. Bom, foi para isso que escolhi ler esse livro, que se mostrou muito interessante e no qual aprendi mais sobre a história da psicologia brasileira.
Historia Da Psicologia Brasileira. Da Epoca Colonial Até 1934
Marina Massimi
EPU
1990
82 páginas
2h 44m
ISBN-13: 9788512603605
Português Brasileiro
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