Além do Bem e do Mal - Prelúdio a uma Filosofia do Futuro

    Friedrich Nietzsche

    Hemus
    2004
    251 páginas
    8h 22m
    ISBN-10: 8528900657
    Português Brasileiro

    "A dualidade dicotômica fundamental da metafísica e da ética (bem e mal) é o alvo central da reflexão crítica nietzscheana. Afinal, o que são o bem e o mal ou, referencialmente, o bom e o mau? E mais concretamente... qual é o homem bom ou mau, ou, ao menos, o que distinguiria, em termos suficientemente definidos, a ação boa da ação má. São o bem e o mal idênticos na ação do homem poderoso, orgulhoso e dominador e naquela do homem fraco, humilde e submisso? Nietzsche distingue duas moralidades: a dos senhores e a do rebanho, isto é, pressuposta por ele a divisão fundamental dos homens em dominadores e dominados, a idéia de uma ética comum sustentada pela filosofia não-pagã e pré-nietzscheana é inconsistente e ridícula. A minoria dos homens intelectual e emocionalmente superiores não pode agir e ser avaliada pelos mesmos conceitos de bem e mal com os quais agem e são julgados indivíduos ordinários que constituem a maioria esmagadora. Nietzsche deseja, nesta obra de derradeira maturação de seu instrumental crítico, desfechar o golpe de misericórdia na "velha moralidade" judáico-cristã e abrir a trilha para a ética do super-homem. Assim, Além do Bem e do Mal não preconiza a extinção ou isenção dos conceitos morais, mesmo na avaliação das ações humanas dos poderosos e superiores, resultando num amoralismo. Ao contrário, para Nietzsche todo homem é um ser moral. O igualitarismo é, todavia, a seu ver, absurdo e insustentável. Os homens não devem ser tratados igualmente pela simples, natural, taxativa e inescapável razão de serem desiguais. Seria estúpido aquilatar todos os homens, indistintamente, com uma única e mesma balança."

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    Fernando Boechat Lessa picture
    Fernando Boechat Lessa10/10/2011Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Cansativo

    Antes que os intelectuais e pseudo-intelectuais venham criticar a minha opinião com suas críticas cansativas de escrita semi-pomposa e cheios de "autoridade" e "verdades", já fica aqui escrito que é a simples opinião de um leigo. Este é o segundo livro de Nietzsche que li, o outro foi genealogia da moral; Preferi o Genealogia da moral, pois explica a transição da moral aristocrática para a moral sacerdotal e todos os mecanismos sutis que fizeram este último superar aquele entre outras coisas que o tempo me fez esquecer. Quanto o "Além do Bem e do Mal" eu confesso que li com menos paciência do que aquele último. Achei o livro cansativo e muitas vezes não sabia quando o autor estava sendo irônico ou dando sua opinião legítima sobre o assunto, sendo bem cansativo tentar interpretar isto o tempo todo, assim como é cansativo vê-lo criticar vááários outros filósofos ao longo do livro, como se só ele tivesse produzido algo de qualidade ao longo da história da filosofia. Para parecer um pouco menos arrogante ele elogia uma meia dúzia de pensadores, mas não deixa de criticá-los pesadamente em outros aspectos também. Essas críticas e ofensas que ele dispara durante o livro todo já são chatas por si só e além disso eu me perco por não saber muitas vezes o que ele está criticando, quando ao criticar, muitas vezes só critica o autor, pressupondo que o leitor já conheça vastamente sua obra. Pra mim o que pude melhor aproveitar são algumas críticas em relação ao determinismo e livre arbítrio, que o autor as considera ,ambas, como abusos da relação de causa e efeito, e indo além, o autor afirma que pressupor uma finalidade no curso da história, assim como uma consequência que é efeito de uma causa, como uma ficção, uma forma de racionalizar uma vida que por si não tem razão. E a moral faz isso o tempo todo, tenta atribuir um sentido à vida, buscar uma causa e efeito, criar leis universais,impor regras sociais que castram o homem, o transformando em animal domesticado - quando por essência tudo o que o corpo quer é que lhe sejam dados liberdades para expansões de sua força. As críticas à moral judaico-cristã também são sempre bem vindas; essa moral que nos nega os instintos e os desejos realmente nos faz adoecer, mas daí a defender a moral aristocrática como ele parece fazer... Bem, aí eu não concordo. Esse mundo de excessos de privilégios e excessos de dominação não me agradam, provavelmente ele diria que eu não me agrado por acreditar nessa moral de escravos que clama por igualdades e por um Salvador. Eu não sou crstão e também não sou comunista ou coisa do tipo, simplesmente não quero esta outra moral que parece ser bem cruel também, com violências muito menos sutis, mas mesmo assim cheio de violências. Eu prefiro que as pessoas se construam através da experimentação, sabendo o que lhes agrada e o que desagrada, e assim irem formando sua personalidades, sem moral, sem preconceito e sem tanta violência.

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