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    Escritos de Antonin Artaud (Coleção Rebeldes & Malditos) -

    Antonin Artaud

    L&PM
    2019
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788525439192
    Português Brasileiro
    4.3
    15 avaliações
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    "Maldito, marginalizado e incompreeendido enquanto viveu, encarnação máxima do gênio romântico, da imagem do artista iluminado e louco, Artaud passou a ser reconhecido depois da sua morte como um dos mais mar­cantes e inovadores criadores do nosso século. Tudo o que, aos olhos dos seus contemporâneos, parecia mero delírio e sintoma de loucura, agora é referência obrigatória para as mais avançadas correntes de pensamen­to crítico e criação artística nas suas várias manifestações: teatro, arte de vanguarda e criações experimentais, manifestações coletivas e espontâneas, poesia, linguística e semiologia, psicaanálise e antipsiquiatria, cultura e conttracultura.” (Trecho da nota biográfica sobre Artaud) Neste volume da Coleção Rebeldes & Malditos, o poeta Claudio Willer apresenta ao leitor brasileiro um precioso painel da obra de Anto­nin Artaud (1896-1948), na forma de uma antologia que pretende dar uma visão ampla da sua obra e de suas inúmeras manifestações."

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    Eduardo Menezes07/01/2024Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Gênio, louco, marginal e incompreendido

    Primeira leitura concluída neste ano, "Escritos de Antonin Artaud", organizado e traduzido por Cláudio Willer, é uma espécie de antologia da obra deste poeta, escritor e ator francês, que escandalizou a sociedade da sua época, nos anos 30, ao encarnar o seu pensamento e viver intensamente o que dizia! Parte da coleção Rebeldes e Malditos, da @lepmeditores , temos, aqui, uma ótima introdução ao pensamento deste incompreendido, porém autêntico, dramaturgo francês. O livro reúne trechos dos seus principais trabalhos. Temos ensaios, manifestos, entrevistas e cartas que se dirigem a diferentes personalidades e grupos de pessoas. Tendo sido vinculado ao surrealismo, Artaud acabou por afastar-se do movimento ao discordar da sua "partidarização". E isso se deu após ocorrer uma limitação do fazer artístico pela adesão do movimento à linha ideológica que estava sendo ditada por um grupo de intelectuais comunistas. É importante dizer que Antonin Artaud era anarquista e, portanto, crítico visceral de toda forma de hierarquização do poder e burocratização da cultura, militando, através do teatro e da poesia, por um mundo no qual pudesse se expressar livremente! Internado em hospitais psiquiátricos, submetido a mais de 60 sessões de eletrochoque, era considerado "louco" e "irrecuperável". Seus ensaios e suas cartas - dirigidas aos diretores dos manicômios, ao Papa, à Dalai Lama e a amigos próximos -, nas décadas de 1930 e 1940, são, por vezes, abstrações escatológicas, que fazem girar a cabeça, mas, ao mesmo tempo, lampejos de genialidade e lucidez que não havia encontrado em nenhuma outra obra, seja dedicada ao teatro ou às ciências políticas. De todos os textos, os trechos de "Cartas de Rodez", último hospício em que ele esteve internado, e onde pôde, finalmente, voltar a escrever e desenhar, foram os que mais me marcaram. Fica a dica de sua obra para quem tem coragem de encarar o que Artaud - "o louco/o gênio" - tem a nos dizer! "Pelos caminhos por onde o meu sangue me arrasta não pode ser que eu não descubra uma verdade" #artaud #antoninartaud #lepmeditores #claudiowiller

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    Antoine Marie Joseph Artaud profile picture

    Antoine Marie Joseph Artaud

    "Para Artaud, o teatro é o lugar privilegiado de uma germinação de formas que refazem o ato criador, formas capazes de dirigir ou derivar forças. Em 1935 Artaud conclui o "Teatro e seu Duplo" (Le Théâtre et son Double), um dos livros mais influentes do teatro deste século. Na sua obra ele expõe o grito, a respiração e o corpo do homem como lugar primordial do ato teatral, denuncia o teatro digestivo e rejeita a supremacia da palavra. Esse era o Teatro da Crueldade de Artaud, onde não haveria nenhuma distância entre ator e platéia, todos seriam atores e todos fariam parte do processo, ao mesmo tempo. Em Rodez, além de suas cartas (lettres au docteur Ferdière) ele elabora uma prática vocal, apurada dia a dia, associada à manifestações mágicas. A voz bate, cava, espeta, treme, a palavra toma uma dimensão material, ela é gesto e ato. Artaud volta a Paris em 1946, onde dois anos depois é encontrado morto em seu quarto no hospício do bairro de Ivry-sur-Seine. Neste período, além de uma importante produção literária ele desenha, prepara conferências e realiza a emissão radiofônica "Para acabar com o juízo de Deus" (Pour en finir avec le jugement de dieu), onde sua vontade expressiva se alia a um formalismo cuidadoso. Se nos anos 30 o teatro para Artaud é “o lugar onde se refaz a vida”, depois de Rodez ele é essencialmente o lugar onde se refaz o corpo. O “corpo sem órgãos” é o nome deste corpo refeito e reorganizado que uma vez libertado de seus automatismos se abre para “dançar ao inverso”. “A questão que se coloca é de permitir que o teatro reencontre sua verdadeira linguagem, linguagem espacial, linguagem de gestos, de atitudes, de expressões e de mímica, linguagem de gritos e onomatopéias, linguagem sonora, onde todos os elementos objetivos se transformam em sinais, sejam visuais, sejam sonoros, mas que terão tanta importância intelectual e de significados sensíveis quanto a linguagem de palavras.” O seu trabalho ainda inclui, ensaios e roteiros de cinema, pintura e literatura, diversas peças de teatro, inclusive uma ópera, notas e manifestos polêmicos sobre teatro, ensaios sobre o ritual do cacto mexicano peyote entre os índios Tarahumara (Les Tarahumaras), aparições como ator em dois grandes filmes e outros menores. Artaud escreveu: "Não se trata de assassinar o público com preocupações cósmicas transcendentes. O fato de existirem chaves profundas do pensamento e da ação segundo as quais todo espetáculo é lido é coisa que não diz respeito ao espectador em geral, que não se interessa por isso. Mas de todo o modo é preciso que essas chaves estejam aí, e isso nos diz respeito" - em Teatro e seu duplo. Se considerava um poeta, mas não no sentido usual, pois ele acreditava que alguém se definia como poeta ou não na própria vida, não precisando escrever um poema sequer. Apesar de haver escrito poemas no início da carreira, conforme o autor poemas simbolistas, queimou-os todos, e não temos idéia de como seriam estes poemas. No entanto, textos posteriores como "Para acabar com o julgamento de Deus" (1948), metafóricos e repletos de experimentação linguística, podem muito bem se enquadrar na categoria de 'poesia' em prosa." in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonin_Artaud

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