O homem de Londres é uma espécie de Crime e Castigo moderado, digo moderado porque não tem a intensidade existencial do Dostoievski, mas é sim uma jornada de comiseração sobre o crime cometido. Tenho o sonho desde criança de encontrar uma mala de dinheiro, mas a realidade se tornaria distinta se de fato isso ocorresse: quais as circunstâncias que essa mala foi perdida? que tipo de gente a perdeu? o que farei para mantê-la? quais limites éticos estou quebrando? o que mantê-la me fará fazer no futuro? Essas questões são permeadas existencialmente no livro, nos fazem pensar para além da fantasia infantil de achar uma mala cheia de dinheiro e sim em suposições que as coisas provavelmente darão errado se você mantê-la. Li a tradução da Unesp que saiu em 2025, é o primeiro Simenon que leio e o fiz para poder ver a adaptação do Tarr.
