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    A Chama -

    Leonard Cohen

    Relógio D'Água
    2019
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-13: 9789896419103
    Português
    4
    25 avaliações
    Leram35Lendo10Querem60Relendo0Abandonos1Resenhas5
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    A Chama, de Leonard Cohen, é um legado de poemas, canções, desenhos e versos dispersos, às vezes registados em cadernos de apontamentos e até guardanapos de bar. É uma despedida deliberada, que evita os sentimentalismos. Pouco antes da sua morte em novembro de 2016, Leonard Cohen disse em entrevista: «Estou preparado para morrer. (…) A certa altura, e se estás ainda na posse das tuas capacidades, (…) tens de aproveitar a oportunidade para deixar tudo em ordem. Talvez seja um cliché, mas subestima-se o seu poder analgésico. Deixar tudo em ordem, quando se pode fazê-lo, é uma das atividades mais reconfortantes, e os benefícios são incalculáveis.» Esta despedida de Cohen, que recolhe textos já publicados e inéditos, evidencia a variedade dos talentos de um romancista, poeta e cantor, singular, lírico e filosófico, terno e corrosivo, feroz e generoso. Inclui novos poemas sobre a guerra, o arrependimento e a amizade, as letras das canções dos seus últimos quatro álbuns, fragmentos dos cadernos que guardou desde a adolescência e uma série de autorretratos e outros desenhos. No conjunto, reflete uma sensibilidade que oscila entre o carnal e o místico, a melancolia e o apego à vida, a irreverência e o ceticismo, o perfil de alguém que enfrentou a morte com a mesma inteireza com que viveu.

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    Alexandre Kovacs04/06/2022Resenhou um livro
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    Leonard Cohen - A chama: Pemas, letras, desenhos, notas

    Editora Companhia das Letras - 608 Páginas - Tradução: Caetano W. Galindo - Capa: Rafaela Romaya - Ilustração de capa: Leonard Cohen - Lançamento: 2022. Um lançamento para iniciados e não iniciados na arte do homem que compôs o clássico hino do rock Hallelujah, uma única canção que já justificaria toda uma carreira, contudo há muito mais na obra do músico e poeta canadense Leonard Cohen (1934-2016). O livro, organizado por seu filho Adam Cohen, reúne 63 poemas inéditos escritos ao longo de toda uma vida, letras de músicas dos últimos quatro álbuns, assim como notas e desenhos, a maioria autorretratos, extraídos dos cadernos de anotações do autor. Nesta edição bilíngue consta também o discurso de agradecimento do artista ao receber o prêmio Príncipe das Astúrias, na Espanha, em 2011. Leonard Cohen descobriu a literatura cedo, publicando romances e poesia, antes de iniciar a sua trajetória como músico somente aos trinta anos: “Religião, professores, mulheres, drogas, a estrada, fama, dinheiro... nada me dá um barato e um alívio tão grande do sofrimento quanto enegrecer as páginas, escrever”. A inspiração para os poemas vem de referências autobiográficas e uma forte religiosidade que reflete as origens judaicas. O livro é uma obra madura em tom de despedida, na qual o artista tem consciência da morte que se aproxima, mas reza para que tenha a coragem de encará-la como amiga (em "Eu rezo por coragem"). Nos exemplos abaixo, fica clara a opção de Caetano Galindo em traduzir os poemas da forma menos literal e mais "literária" possível, preservando a métrica e a estrutura original. É difícil não fazer comparações com outro grande artista que flertou com a poesia, Bob Dylan, laureado com o prêmo Nobel de Literatura em 2016. Segundo Galindo: "as letras das músicas de Leonard Cohen sempre tiveram relação mais próxima com a página do que, por exemplo, as de Bob Dylan. Sua métrica tende a ser um pouco mais estrita; as rimas são também mais regulares." Em seu último álbum, You Want It Darker, lançado poucas semanas antes de sua morte e produzido pelo filho, Leonard Cohen cantava: "Você quer mais escuro, nossa chama é sem futuro", mas aqui a chama do artista está forte como nunca, uma obra recomendada para conhecer melhor um dos maiores poetas e compositores do século XX. Canção antiquada Velho demais, isso me desacata, Velho demais, e só Deus sabe! Guardo o pequeno coração de prata, A rosa rubra que me cabe. E num abraço outro, forte e terno O que te falta já desponta. Vou terminar minha canção de inverno Para você. Está quase pronta. Mas ah! Os nossos beijos, eu insisto, Que me levaram para o cais Em mares onde eu parcamente existo, Mas só para te beijar mais. Tenho o pequeno coração de prata, A rosa rubra que me cabe. Um você me deu cedo, imediata, A outra antes que tudo acabe. Ele te espera a noite toda, eterno. Vá correndo, não seja tonta. Vou terminar minha canção de inverno Para você. Está quase pronta. Antique Song Too old, too old to play the part, Too old, God only knows! I´ll keep the little silver heart, The red and folded rose. And in the arms of someone strong You´ll have what we had none. I´ll finish up my winter song For you. It´s almost done. But oh! the kisses that we kissed, That swept me to the shore Of seas where hardly I exist, Except to kiss you more. I have the little silver heart, The red and folded rose. The one you gave me at the start, The other at the close. He waited for you all night long. Go run to him, go run. I´ll finish up my winter song. For you. It´s almost done. Acho que vou pôr a culpa Acho que vou pôr a culpa da minha morte em você mas não te conheço assim tão bem se conhecesse já estaríamos casados Para a satisfação plena (e eu juro que isso existe) não basta ler nas entrelinhas isso é brincadeira de criança e a gente nem gosta tanto de criança Um dia você vai pegar este livro como que pela primeira vez e se dizer: não sei como o sujeito se safou com essa Verso a verso tudo vem do meu problema – a audácia, você vai dizer a [*****] da audácia E revigorada pela sua indiferença a essa questão para nem falar de toda a questão do passado Você vai lembrar o quanto foi boa para mim o quanto eu fui bom para você E parada em algum ponto elevado como uma janela ou precipício vai conhecer a satisfação plena I Think I'll Blame I think I'll blame my death on you but I don't know you well enough If I did we´d be married now For the full enjoyment (and I promise you there is such a thing) it is not enough to read between the lines that is child's play and we are not that fond of Children One day you will pick up this book as if for the first time and say to yourself: I don´t know how the guy pulled it off Line after line rises from my predicament– the nerve, you´ll say the fucking nerve And strengthened by your indiference to the matter not to mention the entire question of the past You will recall how good you were to me how good I was to you And standing at some commanding place like a window or a cliff you will know the full enjoyment Eu rezo por coragem Eu rezo por coragem Já senil Receba-se a doença Venha o frio Eu rezo por coragem Pelas trevas Carregue-se este fardo Seja leve Eu rezo por coragem Nesta hora Da dor que sempre chega e Só piora Eu rezo por coragem Que consiga A morte ver chegando Como amiga I Pray for Courage I pray for courage Now I'm old To greet the sickness And the cold I pray for courage In the night To bear the burden Make it light I pray for courage In the time When suffering comes and Starts to climb I pray for courage At the end To see death coming As a friend Sobre o autor: Leonard Cohen nasceu em Quebec, em 1934, e morreu na Califórnia, em 2016. Começou sua carreira como poeta e escritor, passando a compor por volta dos trinta anos. Entre outros álbuns, lançou Songs of Leonard Cohen (1967), Songs of Love and Hate (1971) e I'm Your Man (1988). You Want It Darker (2016), seu último álbum, saiu poucas semanas antes de sua morte. Em 2011, foi laureado com o prêmio Príncipe das Astúrias, na Espanha.

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    Leonard Norman Cohen

    Leonard Norman Cohen é um cantor, compositor, poeta e escritor canadense. Embora seja mais conhecido por suas canções, que alcançaram notoriedade tanto em sua voz quanto na de outros intérpretes, Cohen passou a se dedicar à música apenas depois dos 30 anos, já consagrado como autor de romances e livros de poesia. Em 1956, lança seu primeiro livro de poesia, Let Us Compare Mythologies, seguido em 1961 por The Spice Box of Earth, que lhe conferiria fama internacional. Após o sucesso do livro, Cohen decide viajar pela Europa, e acaba por fixar residência na ilha de Hydra, na Grécia, onde passa a viver junto com Marianne Jensen e seu filho, Axel. Em 1963 lança The Favorite Game, sua primeira novela, seguida pelo livro de poemas Flowers for Hitler, em 1964, e pela sua segunda novela, Beautiful Losers, em 1966. Em 2011 foi o vencedor do Prémio Príncipe das Astúrias das Letras.

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    Leonard Norman Cohen