Os melhores poemas de Guilherme de Almeida - seleção de Carlos Vogt

    Guilherme de Almeida

    Global
    1993
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-10: 8526003259
    Português Brasileiro

    A coletânea contempla as diversas fases do poeta Guilherme de Almeida. "Os livros de Guilherme de Almeida demonstram que é falso o conceito de ruptura como fase puramente destruidora; houve construção, e construção que em certos casos atingiu o nível do virtuosismo." (Afrânio Coutinho)

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    Jairo Silva28/10/2024Resenhou um livro
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    Melhores poemas de Guilherme de Almeida

    Nessa edição a Global Editora (G), traz uma coletânea dos melhores poemas de Guilherme de Almeida, selecionados e organizados por Carlos Vogt. A seleção é dividida em 3 (três) fases da vida do autor, nominadas como romantismo, moderno e maturidade. Além de poemas famosos, o leitor entra em contato com “haicais” (poemeto japonês) e com as obras (poemas e canções) produzidas durante a Segunda Guerra Mundial e a Revolução Constitucionalista de 32. A exemplo disso, é a integra, ao final da obra, da Canção do Expedicionário. Haicai Infância Um gosto de amora comida com sol. A vida chamava-se "Agora". Cigarra Diamante. Vidraça. Arisca, áspera asa risca o ar. E brilha. E passa. Você sabe de onde eu venho? Venho do morro, do engenho, das selvas, dos cafezais, da choupana onde um é pouco, dois é bom, três é demais. Venho das praias sedosas, das montanhas alterosas, do pampa, do seringal, das margens crespas dos rios, dos verdes mares bravios, De minha terra natal. Por mais terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra sem que eu volte para lá sem que leve por divisa esse "V" que simboliza a vitória que virá: Nossa Vitória final, que é a mira do meu fuzil, a ração do meu bornal, a água do meu cantil, as asas do meu ideal, a glória do meu Brasil! Essa que eu Hei de Amar Essa que eu hei de amar perdidamente um dia será tão loura, e clara, e vagarosa, e bela, que eu pensarei que é o sol que vem, pela janela, trazer luz e calor a essa alma escura e fria. E quando ela passar, tudo o que eu não sentia da vida há de acordar no coração, que vela… E ela irá como o sol, e eu irei atrás dela como sombra feliz… — Tudo isso eu me dizia, quando alguém me chamou. Olhei: um vulto louro, e claro, e vagaroso, e belo, na luz de ouro do poente, me dizia adeus, como um sol triste… E falou-me de longe: "Eu passei a teu lado, mas ias tão perdido em teu sonho dourado, meu pobre sonhador, que nem sequer me viste!"

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