Antídoto, de José Luís Peixoto, é uma novela de contos inspirada no universo musical do disco The Antidote (Century Media, 2003) dos Moonspell. Dois antídotos para um mesmo veneno. »E se fizéssemos um livro e um disco como nunca se fez? E fizemos. As tardes passadas no local de ensaios, as noites de concertos, os dias no estúdio em Helsínquia. As primeiras versões do texto, papéis riscados, o écran do computador. As tardes, as noites, os dias. Um só antídoto contra todos os venenos: o trabalho baseado na amizade e na vontade de dar aos outros o melhor de nós próprios.« (José Luís Peixoto) Quando se conhece o José Luís (Peixoto) conhece-se tudo aquilo que fala através dele, em consciência ou fora dela, e queremos que tudo aquilo fale por nós também. Quando se conhece o José Luís (Peixoto) conhece-se aquele que vive e sobrevive ao estilo de morte sulista e que tão bem o soube dizer quando teve de o partilhar connosco, e apetece que aquele seja um nosso aliado na arte desta sobrevivência e que nos ajude a dizê-la também. Quando nos juntamos ao José Luís (Peixoto) é como se ele se juntasse a nós. E nesta mistura de veneno e antídoto, de horror e beleza, sem forma, limites ou condições, existe um espírito que espalha um eclipse, que volta as costas à encruzilhada, que depois das nuvens é o medo, que debaixo de pele é o medo. Esse espírito somos todos nós, ainda lunares: as nossas mãos com medo do que descobrem, os nossos sonhos agitados com as curas, os nossos espíritos irrequietos mas decididos a entrar no segredo de cada um e construir um perturbadoramente novo para matar a sede de antídoto que tão bem conhecemos. Fernando Ribeiro (Moonspell)

