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    Saga -

    Erico Verissimo

    Companhia das Letras
    2006
    344 páginas
    11h 28m
    ISBN-10: 8535909354
    Português Brasileiro
    4
    275 avaliações
    Leram584Lendo22Querem359Relendo1Abandonos15Resenhas19
    Favoritos27Desejados359Avaliaram275

    No romance que fecha o ciclo urbano das aventuras dos jovens Clarissa e Vasco, Erico Verissimo narra a trajetória de Vasco Bruno desde a Guerra Civil Espanhola até a volta a Porto Alegre e confronta as atrocidades da guerra com as injustiças cotidianas da sociedade. Vasco Bruno atravessa o oceano e luta na Guerra Civil Espanhola como voluntário da Brigada Internacional. Após a vitória do general fascista Francisco Franco, é enviado a um campo de concentração e deportado ao Brasil. De volta a Porto Alegre, Vasco se depara com novo campo de batalha: em vez de fuzilamentos e bombardeios, os golpes baixos da sociedade burguesa; em vez das vilanias da guerra, as pequenas torpezas do cotidiano, as traições que também podem terminar em tragédia. Ao mesmo tempo, o jovem sente renascer a antiga chama de seu amor pela prima Clarissa. O crítico Antonio Candido afirmou que um dos temas da obra de Erico era "o problema da barreira que a sociedade cria para a expansão e a realização do que há de mais honesto e puro no homem". Publicado em 1940, no início da Segunda Guerra Mundial, Saga é um libelo humanista, um romance que denuncia a miséria social e ao mesmo tempo aponta uma luz de esperança em meio às nuvens escuras que chegam da Europa. Este romance fecha o ciclo urbano da obra de Erico Verissimo - composto de Clarissa, Caminhos cruzados, Música ao longe, Um lugar ao sol, Olhai os lírios do campo e Saga.

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    Filipe Quevedo picture
    Filipe Quevedo24/05/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Verissimo, Clarissa, eu, e um adeus

    <i>"Curiosa coisa é a Guerra: nunca vi as caras de meus inimigos."</i> Devo admitir que Guerra é um assunto que não me cativa, não desperta meu interesse, muito embora eu saiba da importância histórica delas e suas várias consequências. Não é um tema que consiga me cativar, me provocar um interesse sincero. Por isso, foi uma grata surpresa eu gostar da primeira parte do livro em que Vasco narra sua experiência na guerra civil espanhola. O livro tem duas partes bem distintas: na primeira parte Vasco Bruno está lutando na guerra civil espanhola, pouco antes da segunda Grande Guerra. Incrível como Verissimo, que até onde sei nunca tomou parte em nenhuma guerra, descreve as barbáries das batalhas. A segunda parte se passará em Porto Alegre, com o retorno de Vasco para o Brasil. Está segunda parte é muito parecida com Um Lugar Ao Sol, na verdade dá para dizer que é uma continuação. Saga também reúne personagens de todos os outros romances de Erico publicados antes dele. Destes, ainda não li somente Caminhos Cruzados. O próprio Erico tece críticas ao livro no prefácio, alegando não o ter escrito por inspiração e sim por já estar, naquele momento, há algum tempo sem lançar um romance. Então um ex-combatente lhe ofereceu seu diário de guerra para que o escritor o aproveitasse em algum romance. E foi o que aconteceu. Verissimo achava Saga seu pior livro: <i>"Mas não serão de natureza apenas política os erros e deformações deste romance. Literária e artisticamente muitas são também as restrições que faço a Saga."</i> Há excelentes diálogos, assim como em outros livros do autor. E quando falo da qualidade das conversações não é apenas um elogio estético; quero salientar sobretudo os assuntos tratados nessas palestras. Filosofia (constante presença de conceitos platônicos), sociologia, existencialismo, humanismo, política... E claro que isso só será motivo de louvor se o leitor tiver afinidade com esses temas, e eu tenho. E Clarissa, ah Clarissa. Clarissa é um pedaço especial na minha vida de leitor. Conheci Clarissa no livro que leva seu nome: foi amor à primeira vista. Logo reencontrei-a numa Música Ao Longe. Após este segundo encontro, procurei marcar o próximo em Um Lugar Ao Sol. Saga é nosso último encontro, nosso último capítulo, nossa despedida, o fim de um ciclo, nosso momento final. Como é difícil dizer adeus.

    14 curtidas

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    Avaliações

    4 / 275
    • 5 estrelas34%
    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas28%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
    Erico Lopes Verissimo profile picture

    Erico Lopes Verissimo

    Erico Lopes Verissimo (1905 - 1975), nascido em Cruz Alta (RS), foi um escritor brasileiro. Com uma prosa simples e de fácil leitura, tornou-se um dos escritores mais populares da literatura brasileira. Em 1932, publicou seu primeiro livro, ‘Fantoches’, e em 1938 obteve sucesso com o romance ‘Olhai os Lírios do Campo’, que lhe deu projeção nacional como escritor. "Posso afirmar que só depois do aparecimento de 'Olhai os Lírios do Campo' é que pude fazer profissão da literatura". Seu trabalho mais conhecido, todavia, é a trilogia ‘O Tempo e o Vento’, publicada entre 1949 e 1962. Trata-se de um romance histórico que se situa em diversos momentos da história do Rio Grande do Sul. Embora não possuísse diploma de curso superior, Verissimo lecionou literatura brasileira nos Estados Unidos e foi diretor de revistas. Em 1971, lançou ‘Incidente em Antares’, uma obra crítica ao regime militar brasileiro. Na periodização literária, Verissimo pode ser enquadrado na segunda fase do modernismo no Brasil, caracterizado pelos romances regionalistas. Verissimo retratou em suas obras aspectos sociais, políticos e históricos do Rio Grande do Sul. Seus romances são marcados pela abordagem realista dos personagens e da sociedade, explorando temáticas como as desigualdades sociais, as relações familiares, o contexto político e as transformações históricas. Um dos principais aspectos de sua escrita é a capacidade de retratar a psicologia dos personagens, explorando suas motivações, dilemas e conflitos internos. Além disso, Verissimo demonstra sensibilidade ao retratar o cotidiano, a vida simples e os dramas humanos. Verissimo também escreveu obras em outros gêneros, como ficção didática (Viagem à Aurora do Mundo), literatura infantil (Os Três Porquinhos Pobres) e uma autobiografia (Solo de Clarineta). CONTOS Fantoches – 1932 Chico – 1932 As mãos de meu filho – 1942 O ataque – 1958 Outros contos – 1972 ‘Os devaneios do general’ ‘O navio das sombras’ Galeria fosca – 1987 ROMANCES Clarissa – 1933 Caminhos cruzados – 1935 Música ao longe – 1936 Um lugar ao sol – 1936 Olhai os lírios do campo – 1938 Saga – 1940 O resto é silêncio – 1943 O tempo e o vento (1ª parte) — O continente – 1949 O tempo e o vento (2ª parte) — O retrato – 1951 O tempo e o vento (3ª parte) — O arquipélago – 1962 O Senhor Embaixador – 1965 O prisioneiro – 1967 Incidente em Antares – 1971 LITERATURA INFANTOJUVENIL A vida de Joana d'Arc – 1935 As aventuras do avião vermelho – 1936 Os três porquinhos pobres – 1936 Rosa Maria no castelo encantado – 1936 Meu ABC – 1936 As aventuras de Tibicuera – 1937 O urso com música na barriga – 1938 A vida do elefante Basílio – 1939 Outra vez os três porquinhos – 1939 Viagem à aurora do mundo – 1939 Aventuras no mundo da higiene – 1939 Gente e bichos – 1956 NARRATIVAS DE VIAGENS Gato preto em campo de neve – 1941 A volta do gato preto – 1946 México – 1957 Israel em abril – 1969 AUTOBIOGRAFIAS O escritor diante do espelho – 1966 (em ‘Ficção Completa’) Solo de clarineta – Memórias (1º volume) – 1973 Solo de clarineta – Memórias 2 – 1976 (ed. póstuma, organizada por Flávio L. Chaves) ENSAIOS Brazilian Literature – an Outline – 1945 Mundo velho sem porteira – 1973 Breve história da literatura brasileira – 1995 (tradução de Maria da Glória Bordini) BIOGRAFIA Um certo Henrique Bertaso – 1972 COMPILAÇÕES Suas obras foram compiladas em três ocasiões: Obras de Érico Veríssimo – 1956 (17 volumes) Obras completas – 1961 (10 volumes) Ficção completa – 1966 (5 volumes)

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    Rio Grande do Sul, Brasil

    Erico Lopes Verissimo