Os (Des)caminhos do meio ambiente -

    Carlos Walter Porto Gonçalves, A. J. Greimas

    Contexto
    2002
    152 páginas
    5h 4m
    ISBN-10: 8585134402
    Português Brasileiro

    "Aborda o movimento ecológico com enfoque histórico-cultural, visto como produto da relação entre natureza e sociedade. Procura também fundamentar o movimento de caráter político-cultural, demonstrando que cada povo constrói seu próprio conceito de natureza ao mesmo tempo em que institui as suas relações sociais. Leitura para estudantes e professores de Geografia, História e Agronomia, assim como para homens públicos e militantes realmente interessados em buscar novos caminhos para os problemas do meio ambiente."

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    Rafael Freitas19/10/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Desnaturalizar o natural

    Carlos Walter faz um razoável caminho para elucidar como o conceito de natureza foi historicamente constituído por uma sociedade que se separou da natureza, se fazendo acima dela a fim de dominá-la. É nesse sentido que a relação homem-natureza e a própria relação homem-homem se apresentam como uma relação problemática. O autor sugere um rompimento com esse modo de pensar constituído pelo “mundo ocidental” e sugere uma nova concepção de natureza, sendo o homem parte integrante da mesma. Porém, como essa construção social histórica atravessa a própria concepção de homem, é preciso romper com o que entendemos sobre o homem e a sociedade em busca de um caminho mais “harmônico”, onde a deterioração da natureza e do próprio homem sejam evitadas. Esse rompimento de uma lógica tão “naturalizada” em nossas mentes se apresenta de forma utópica, porém, a utopia serve para nos mover em busca da resolução dos problemas sistêmicos presentes, não é mesmo? Lendo esse livro após ler os escritos de Ailton Krenak, me fez refletir sobre como o sistema capitalista é uma máquina de moer qualquer coisa que vê pela frente em prol do acúmulo de capital. Um acúmulo, que como diz Carlos Walter, é infinito, portanto se faz sem limites. Essa falta de limites faz com que o uso do meio que nos cerca seja predatório, como é o uso de outros seres humanos a fim se reproduzir essa lógica acumulativa sem se pensar no bem-estar dos outros, só no seu ego, fazendo dessa sociedade uma bomba individualista sem precedentes.

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