O romance é composto de duas partes, duas histórias que formam uma única, porque tratam de um adultério (dupla vida, dupla família) de certa forma justificado. "Balzac faz partir aqui duas ações convergentes, começando aliás pela mais recente. Ambas, admiravelmente bem conduzidas, decorrem com inexorável lógica dos respectivos ambientes." Desde o começo, a decoração lembra o ambiente de Ferragus. Em um bairro sujo, em uma casa sórdida, uma velha oferece aos passantes uma criatura angelical (sua filha). Será o conde de Granville, infeliz em um casamento com uma mulher muito devota, que ficará apaixonado pela grisette. O autor se posiciona contra o excesso do fanatismo e contrasta a decoração do interior de uma casa aristocrática (segundo um princípio que lhe é caro) à sujeira de um bairro parisiense sórdido e à alegre decoração de um apartamento de grisette (outro princípio que lhe é caro). A casa de madame de Granville é à sua imagem e semelhança: secura, fria solenidade, retidão e polidez, enquanto o alojamento da grisette, como aquele da Torpille, é um lugar de delícias.
Uma Dupla Família (A Comédia Humana) - Une double famille
Honoré de Balzac
Globo
1954
172 páginas
5h 44m
ISBN-10: B004W9BQYO
Português Brasileiro
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