a quarta parede -

    Paulo Franco

    Multifoco/ Selo Vale em Poesia
    2010
    64 páginas
    2h 8m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Poemas que põem nossas almas em exposição translúcidas à frente do palco.

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    JURANDIR RODRIGUES11/04/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A quarta parede: Poesia encenação Por Jurandir Rodrigues

    Paulo Franco, um poeta que põe a alma translúcida à mostra na frente do palco como nos versos iniciais do livro e do poema “A estátua”: “A alma estendida no varal a me conter de encantos. Desalinhos no que sou confundem o que sinto num quintal de prantos.” Poeta que brinca e sofre com o seus versos que nos remete a outro poeta brincador-sofredor-fingidor nas estrofes abaixo dos poemas “A pessoa” e “Infinito”, respectivamente: “Do outro lado da minha janela inúmeros donos de tabacaria riem-se de mim que não me sinto pessoa.” “E nunca sei se escrevo a parte que me cabe do que sei de mim e , às vezes, calo pra fingir o que não sinto.” Com claras e enigmáticas referências ao teatro, ou à vida como símbolo e metáfora de encenações e roteiros a serem seguidos, a atores perdidos nas coxias e textos. O título já nos remete a tudo isso e também os versos abaixo do poema “O Camarote”: “A peça é parte arredia do contexto de paixões intensas que se quebram em instantes desfazendo as emoções dos outros para sempre.” A mesma metáfora da vida que se confunde com o palco, roteiros previamente escritos que seguimos estão presentes nos versos abaixo do poema “O circo”. “Do alto do meu espetáculo observo na plateia o que não quero ser e represento pros que aplaudem o teatro do que somos nas coxias onde estamos, mas mostrando um picadeiro que não quero ver.” A quarta parede, um livro de poemas que se confunde com uma peça de teatro em que os poemas são personagens que nos dizem, sem medo e amarras, quem somos e que nos espreita a alma maquiada para um grande espetáculo, ou nossa alma pálida fugindo dos palcos para esconder nas coxias fragilidades e temores.

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