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    Paulo e Virgínia - O literário e o esotérico no Brasil atual

    Joel Rufino dos Santos

    Rocco
    2001
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-16: ISBN:_8532513034
    Português Brasileiro
    3.6
    5 avaliações
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    Favoritos0Desejados11Avaliaram5

    Ficção e realidade se confundem e se entrelaçam em Paulo e Virgínia, novo livro de Joel Rufino dos Santos. A trajetória amorosa e trágica do casal, um professor de literatura e uma psicóloga, é tecida como pano de fundo para uma crítica ao ensino de literatura nas Faculdades de Letras e para uma análise explicativa à maré esotérica, principalmente literária, representada pela obra de Paulo Coelho. O autor toma posse da vida de seus amigos, mortos num acidente de trânsito nas primeiras horas do dia 1º de janeiro de 1997, ao receber de um bombeiro que participara do socorro às vítimas dois livros "com discretas manchas de sangue": As conseqüências da modernidade, de Anthony Giddens, e O alquimista, de Paulo Coelho. A partir desses emblemas, transforma o caso Paulo e Virgínia em objeto de estudo acadêmico, através de pesquisa interpretativa, permitindo que Paulo fale explicitamente aquilo que não dissera. Mas ao conduzir a narrativa tem em mente um adágio romano: "Nunca deixe que a verdade interfira numa boa história". Com o subtítulo O literário e o esotérico no Brasil atual, o livro de Joel Rufino dos Santos dá voz às críticas e propostas de mudança formuladas por Paulo Sarmento Guerra, doutor em Letras pela Universidade de Lumière, de Lyon, para acabar com o "baixo estruturalismo dos departamentos de letras". Segundo Paulo, o ensino universitário deveria ser uma fonte de produção de conhecimento através da legítima troca de saber entre os professores, que lamentavelmente renunciaram à condição de intelectuais, e alunos, desde sempre castrados da hostilidade, da agressividade e do desejo. Sua idéia básica consistia em organizar um curso espontâneo de literatura brasileira, deixando que os alunos escolhessem o que estudar, pois a liberdade, na sua concepção, significava pensamento próprio. Mas a ambição maior era formar leitores críticos, pois, a exemplo de Kafka, entendia que "ler é fazer perguntas". Pela pena de Joel Rufino, o paraibano de Catolé do Rocha, "uma boa fonte de consciência, uma vida que não sabe enganar", aprofunda-se no esoterismo. Busca assim entender o "gosto estragado" dos alunos e, principalmente, da mulher, a paulistana Virgínia Mattos Guerra, pelos escritos de Paulo Coelho. Mas no fundo, sua meta era compreender a bela mulher amada de olhos verdes, "sempre agitada mas constante", psicóloga tout court pela Universidade Lionesa, que vivera à época do desbunde dos anos 60 numa comunidade hippie. Neste sentido, o personagem estabelece relações entre ocultismo, esoterismo, modernidade, contracultura e chega às engrenagens que movimentam a literatura de massa, cuja base institucional são as editoras, livrarias e meios de comunicação. Também constrói um curioso paralelo entre anjos e mouses, que presentificam um mundo invisível de onde foram banidos, preventivamente, a contradição, o dissabor, a morte. Paulo e Virgínia, de Joel Rufino, está calcado no romance trágico de igual nome de Bernardin Saint-Pierre (1737/1814), uma elegia satírica contra a deturpação dos instintos puros pela civilização. E ontem como hoje, um homem apaixonado procura entender a mulher amada que se deixou levar pelas circunstâncias do mundo atual, incapaz de responder as dúvidas existenciais e que se agarra à religiosidade sem fronteiras dos esotéricos.

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    Joel Rufino dos Santos  profile picture

    Joel Rufino dos Santos

    Nasceu no Rio de Janeiro em 1941. É doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Conhecido a partir de 1960 quando participou da elaboração da revolucionária coleção de livros didáticos "História Nova", que o levou algumas vezes aos cárceres da ditadura militar. Tem incursões em várias formas de expressão escrita, do livro didático ao romance histórico, passando também pelo teatro, pelos roteiros de televisão e pela literatura infantil. Foi subtitular da Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras do Estado do Rio de Janeiro (1991/92) e presidiu a Fundação Cultural Palmares do Ministério da Cultura. É autor de mais de vinte livros.

    27 Livros
    21 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Joel Rufino dos Santos