'La Princesse de Babylone' é um conto filosófico, escrito por Voltaire em 1768. Narra a história amorosa de Formosante, filha do rei Belus da Babilônia, e de Amazan, pastor de uma terra imaginária situada às margens do Ganges. Outra principal protagonista é uma fênix, maravilhosa ave, de plumagem belíssima: o corpo é dourado e o pescoço ostenta todas as cores do arco-íris. O bico é cor-de-rosa e os pés, uma mescla de prata e púrpura. Tal como na lenda, é uma ave mágica, que renasce das próprias cinzas. Pode-se reconhecer os elementos fantásticos, o exotismo e a exuberância originários d`As 'Mil e uma noites' nesta pequena obra de Voltaire. É certo que dão à narrativa um caráter extraordinário e maravilhoso. Mas nessa fábula, ambientada num Oriente fantástico e irreal, sobressai também uma evidente intenção alegórica. A peregrinação do herói pela Ásia e Europa é um recurso que serve a seu autor para destilar pela boca dos personagens ou do narrador ironias picantes e críticas acerbas contra o fanatismo e intolerância religiosas, a estupidez e superstição cultivada pelo clero, por seus governantes e suas leis equívocas. Ao mesmo tempo faz o elogio daqueles países onde a justiça, a igualdade e a tolerância reinam.




