Confinados a uma cela de castigo, revezando-se para enfiar a cabeça por uma portinhola exígua, três pobres diabos tentam seguir os menores movimentos do pavilhão penal em que se encontram: alertas ao vaivém dos guardas, espreitam mais que tudo a chegada providencial das três mulheres que contrabandeiam a droga, anjo branco e sem rosto, e os libertam, por um breve momento, da sufocante massa de desejo que os tortura e os torna dolorosamente, supremamente humanos. Obra central da ficção latino-americana, inédita em português, A gaiola acompanha os ímpetos, as vertigens, os devaneios de seus personagens à mercê da espera, do poder, do acaso. Escrita em 1969, na prisão de Lecumberri, na Cidade do México, onde José Revueltas pagava caro por seu papel de líder do movimento estudantil de 1968, esta novela tem seu lugar de direito entre os grandes textos da literatura penitenciária, na vizinhança de Graciliano Ramos e Jean Genet. Mas a prosa do autor mexicano vai além: livre, ela sabe ser brutal e lírica, realista e alucinatória, para subverter as relações de força e fazer de A gaiola uma verdadeira parábola sobre a condição humana. José Revueltas é um dos melhores escritores de minha geração e um dos homens mais puros do México. – Octavio Paz


