Uma dupla explosiva
As duas primeiras partes do arco "Hábitos Perigosos", do John Constantine, são muito boas. Começa com a realização do "memento mori", ele nota que tem um câncer, em estado terminal. Reflete sobre seu passado amplo e seu futuro curto. Visita um antigo amigo. Fica bêbado. Tem um pensamento rápido quando nota que o demônio veio buscar a alma do seu amigo. Agora John tem menos vontade ainda de morrer, pois ele irritou algumas pessoas no inferno. As duas primeiras partes do arco "Tarântula", do Sandman da Era de Ouro, são muito bem desenvolvidas. A arte combina com o estilo do final da década de 1930. O roteiro monta uma ameaça predatória misteriosa, e estabelece em paralelo Wesley Dodds, o protagonista. O relacionamento dele com Dian é bem elaborado, e se desenrola de maneira gradual. Há o vício de citar eventos de maneira anacrônica, algo que é mais fácil de ocorrer em retrospecto, pois sabemos o que aconteceria daqui a alguns anos. A proximidade da Segunda Guerra Mundial é um exemplo. Há também um lamúrio constante de alguns personagens sobre a não igualdade de direitos para as mulheres. Isso mostra o desconforto do autor em mostrar a história em uma época em que as convicções dele não eram seguidas em sua totalidade. Isso perde um pouco do elemento realista, presente em algumas outras situações. De resto, a ambientação está muito boa.


