Para falar desse livro eu tenho que dividir ele em duas partes, a primeira bem chatinha e arrastada e a segunda com um pouco mais de intriga. A primeira parte não me prendeu tanto na leitura quanto o primeiro livro, mas a segunda parte foi na velocidade da luz. No geral, o livro como um todo sustentou a mesma dinâmica e qualidades do primeiro livro da trilogia, que, lembrando, trata-se de um young adult de fantasia bem típico desses com pegada de revolução e governos tiranos, e, portanto, segue sendo apenas bonzinho. O enredo não é nada inovador, e aqui começou arrastado e repetitivo. A autora tem o artificio de reaproveitar frases de efeito muito bregas, dessas de revirar os olhos. Até aqui a trilogia é bem genérica e lembra bastante (embora que não tão bom quanto) A rainha vermelha com respeito aos tipos de personagens, tramas, tópicos, profundidade. Eu meio que perdi totalmente o interesse nessa leitura nos primeiros capítulos porque os personagens não têm tanto carisma e o plot não tem nada de chamativo, nenhum diferencial, de tantos outros que parecem igual esse livro. Não achei mal feito, apenas pouco interessante.
Esse volume é focado na decisão da Ana sobre que lado tomar na guerra iminente, aperfeiçoar seus poderes e como se pronunciar com relação ao seu trono. Para a surpresa de zero pessoas, surgem objetos mágicos superpoderosos que precisam ser encontrados, impedidos, usados, destruídos, etc pelos mocinhos - o enredo básico do gênero - e durante uma parte do livro, os personagens irão investigar a existência e características dessas fontes de poder. Achei razoável a maneira como a autora apresentou e desenvolveu o seu mundo, com respeito a origem e as regras da natureza mágica de sua história. Não encontrei furos, não encontrei inovações, não encontrei incoerências, não encontrei um desejo em mim de fazer parte já que não foi cativante o suficiente.
A Ana como personagem principal segue sendo muito fraca de carisma e personalidade. A Lin é muito mais interessante que ela, porém também parece que faltou, sempre muito genérica. O desenvolvimento da Ana é forçado, brega, rápido, obvio. Talvez o melhor desenvolvimento de personagens seja as desavenças da Ana com o alquimista e o Kaïs, os encontros e desencontros com os mesmos foram bem planejados e foi bem construída e suficientemente interessante a questão de que ela havia todos os motivos do mundo para odiá-los, mas ainda assim fica claro durante a leitura que eles não são pessoas ruins por seus crimes.
Romance não é o foco, no entanto a química entre Ramson e Ana segue leve, gostosinha e interessante. O fato de sempre acontecer tão pouca coisa entre eles não me deixa frustrada, pois parece coerente frente a tudo que eles passam na história. Ou talvez eu não me importe tanto assim (rsrsrsrs). Já a questão romântica da Lin e do Kaïs foi aquela carta repetida de sempre né, apaixonados, mas com desavenças políticas. Deu para entreter, mas em alguns momentos dramáticos e copy paste eu não tive paciência.
O Kaïs é um personagem novo, bem desenvolvido, fofinho, mas que é apenas o basicão. A Sorsha também é uma novidade na área dos vilões que simplesmente exite pra enrolar e espichar a história, deixando o livro mais longo, mas não desmereço totalmente. Razoavelmente bem desenvolvida, apenas chatinha. A Morganya é uma vilã decente, a culpa geral do desempenho dela é por conta do plot repetitivo e sem graça. O verdadeiro passado do Ramsom é outra mão na roda, de olhar e falar "meh, solução fácil", apenas mais do mesmo. No entanto, seu passado e seu relacionamento com seu pai também foi bem desenvolvido, entre estes todos, esse foi o mais emotivo e bem justificado. Eu não lembro mais o nome do menino, de tão insignificante que foi, mas queria dizer que aquele amigo de infância da Ana é o Kilorn desse livro (não tenho paciência).
É isso. Foi um pouco maçante e devagar mesmo ouvindo o audiobook. Na metade final estava muito mais envolvida e interessada por conta da ação. Quando lançar o último livro só ouvirei quando precisar de uma distração ao fazer outras coisas, não achei que vale a pena gastar tempo e esforço sentando pra ler isso. É um genérico de Rainha Vermelha, Legend e Trono de Vidro com personagens bem menos cativantes. Bom para passar o tempo para quem gosta do gênero mas sem nenhum fator de distinção.