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    Não pararei de gritar - Poemas reunidos

    Carlos de Assumpção

    Companhia das Letras
    2020
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788535933185
    Português Brasileiro
    4.3
    104 avaliações
    Leram139Lendo9Querem104Relendo0Abandonos0Resenhas21
    Favoritos8Desejados104Avaliaram104

    Ao perfazer um arco de quase setenta anos de produção, Não pararei de gritar reúne poemas que tematizam, com coragem e urgência, a desigualdade racial brasileira. "Senhores/ O sangue dos meus avós/ Que corre nas minhas veias/ São gritos de rebeldia", declara Carlos de Assumpção no emblemático "Protesto". Escrito em 1956, o poema causou furor quando foi apresentado ao público pela primeira vez, na Associação Cultural do Negro, em São Paulo. Seus versos reescrevem a diáspora africana e denunciam um Brasil que traz na sua origem as marcas da injustiça, da desigualdade e da discriminação social. Décadas mais tarde, sua atualidade se mantém. Com dor e revolta, mas também com vitalidade e esperança na construção de um país mais justo, a poesia de Carlos de Assumpção é um testemunho poderoso sobre os tempos em que vivemos, um símbolo de luta contra o silenciamento e a opressão histórica. Esta edição conta com organização e posfácio de Alberto Pucheu. "Esta publicação mostra a potência de seguir os caminhos trilhados por quem já rompeu muitos silêncios. Além de um presente para as próximas gerações, é canção para sonhar liberdades." ― Djamila Ribeiro

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    Camila Ferreira picture
    Camila Ferreira31/05/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Poemas essenciais, porém doloridos

    Ao longo dos poemas de Não Pararei de Gritar vamos fazer um passeio histórico-cultural e emocional sobre a vinda, a vida e a permanência dos negros nas terras brasileiras. Em todas as produções observamos e sentimos a militância, a crítica ao preconceito enraizado e estrutural do Brasil, a busca e tentativa de recuperar a identidade e o orgulho negro. Não é nenhuma novidade o quanto gosto de poesia, então quando vi a oportunidade de ler Não Pararei de Gritar aproveitei sem pensar duas vezes, mal sabia o quanto iria ficar dolorida, emocionada, angustiada e até sentir na pele o que Carlos Assumpção escreveu. O autor consegue, com maestria, transmitir através de suas poesias a dor, o medo, a angústia, a revolta as injustiça, a esperança, o orgulho e a identidade no negro. As poesias de Assumpção não apenas sensibilizam, mas comovem e trazem reflexões importantíssimas sobre a história e escravidão do negro brasileiro, além do mais, é a visão de tudo o que ocorreu pelas palavras e sentimentos de alguém que está em seu lugar de fala e que tem propriedade para escrever o que escreveu. Particularmente, cada poema que está em Não Pararei de Gritar me doeu, revirou meu estômago, me causou incômodo. Como nossos antepassados, brancos, permitiram que os nossos antepassados, negros, sofressem o que sofreram? Como foram eles próprios que infringiram essa dor aos negros? Fico revoltada, fico triste... Fico sem palavras... Sinto apenas uma vergonha profunda por essa mácula em nossa história. O trágico é que ainda hoje reproduzimos o racismo e os preconceitos oriundos dessa época, mas podemos mudar e mudamos toda vez que damos voz a um negro e, sobretudo, a escutamos como fazemos ao ler Não Pararei de Gritar. Então SUPER RECOMENDO! P.S.: Já vi na web muita gente falando que o termo correto é "preto", sinceramente eu não sei, porém, utilizei o termo "negro" nessa review porque é o termo utilizado em todas as poesias presentes em Não Pararei de Gritar, queria esclarecer isso, porque não quero ser acusada de usar o termo errado ou de coisa pior.

    7 curtidas

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    4.3 / 104
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    • 4 estrelas46%
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    Carlos de Assumpção profile picture

    Carlos de Assumpção

    Um dos decanos da literatura afro-brasileira, o poeta Carlos de Assumpção nasceu em Tietê-SP, em 23 de maio de 1927. Nesta cidade, concluiu o Curso Normal. Mais tarde, passa a residir em Franca-SP, onde obtém formação universitária em Direito, Português e Francês. Foi colaborador da Revista Literária Veredas, do Suplemento Cultural Arte Agora e do Suplemento Cultural do Diário Oficial do Estado. É membro da Academia Francana de Letras, coordenador do Grupo “Canto e Verso”, responsável pela realização de rodas de poemas em escolas. Além disso, coordena o evento “A Semana da Raça” e o coral “Afro-Francano”. Em 1958, o poeta recebeu o título de Personalidade Negra, no 70º aniversário da Abolição, conferido pela Associação Cultural do Negro, em São Paulo. Foi também homenageado com a Placa de Prata da VII Semana Cornélio Pires, em Tietê/São Paulo, 1996. E, em 1982 recebeu novo título, desta vez o de Personalidade do Ano, em Franca/São Paulo. É autor do famoso poema “Protesto”, com o qual ganhou, em 1982, o primeiro lugar no Concurso de Poesia Falad@, de Araraquara - SP. Tal poema marcou época e simbolizou a ascensão e as reivindicações da intelectualidade negra do Estado de São Paulo, tornando-se referência obrigatória para as novas gerações e foi, ainda, incluído em diversas antologias em inglês, francês e alemão. Participou de algumas publicações de Cadernos Negros. Em sua auto apresentação, no número 7 dessas antologias, afirma acreditar que “um dia seremos realmente todos irmãos. Contudo, a concretização desse anseio, deste sonho de muitos dependerá da luta de todos os homens...” (1984, p. 18). Carlos de Assumpção lançou também um CD intitulado Quilombo de Palavras em 1998 numa parceria com o poeta Cuti, outro importante intelectual afro-brasileiro.

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    São Paulo, Brasil

    Carlos de Assumpção