Todos que conheço são suicidas -

    Cristiano Silva Rato

    Caos e Letras
    2019
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-13: 9786580804047
    Português Brasileiro

    Todos que conheço são suicidas é o segundo livro do poeta, editor e documentarista Cristiano Silva Rato. Composto de cerca de 50 poemas, a obra nasce de um período conturbado na vida política, afetiva e social do poeta. A poesia, ele afirma, vem também como uma válvula de escape, um grito, uma possibilidade de fala. São poemas que têm em seu centro um eu lírico às voltas com questões intimistas e existenciais e que, em paralelo, mantém abertos os olhos para o mundo, dialogando sempre com as violências estruturais que lhe atingem e atingem as pessoas de sua classe e cor. O resultado é um livro singular, em que o romantismo e os poemas de amor dividem espaço com o sarcasmo e um olhar crítico para este país doente. Embora fale de um território adoecido, de relações de trabalho adoecidas, de relações afetivas adoecidas, Todos que conheço são suicidas é também um livro sobre resistência. Sobre se manter vivo, lutando, em confronto, buscando sentido em tempos de horror.

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    Alexandre Kovacs16/02/2020Resenhou um livro
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    Cristiano Silva Rato - Todos que conheço são suicidas

    Editora Caos e Letras - 116 Páginas - Projeto gráfico: Cristiano Silva - Arte da capa: Eduardo Sabino - Lançamento: 2019. Cristiano Silva Rato faz poesia com o acúmulo de perdas que representa a vida para a grande parcela de excluídos em nosso país e que, ironicamente, chamamos de minorias. Há poucas exceções na literatura para dar voz a essas pessoas que têm a sua existência limitada a um teimoso exercício de sobrevivência em uma espécie de suicídio diário. O autor lida com os preconceitos e violências a que são submetidos aqueles que têm a sua mesma classe e cor nas periferias dos grandes centros urbanos e, portanto, escreve com autoridade e em primeira pessoa como nos lindos versos confessionais de Um canto egoísta (p. 102): "[...] eu sei, escrevo em primeira pessoa, / eu não sou profissional / para sentir além de mim, / as palavras estão se repetindo, / eu voltei à casa de minha morte / e renascimento. / Quanto tempo até que surte novamente? / Com os olhares, os cochichos, / não quero ser o que querem que eu seja, / nem escrever como querem que eu escreva, / nem olhar como querem, / não quero uma terceira pessoa, / já existem tantos de mim, [...]" O poeta alerta em Auto, ajuda (p.33): "as palavras são armas na madrugada", mesmo quando parece não haver palavra suficientemente forte ou precisa para nomear o sofrimento cotidiano. Ficam então os vazios nomeados em Sobre a a escrita (p. 110): "Quando escrevo / Não são os parágrafos / Não são as frases / Não são as palavras / Não são as letras / São os vazios." O livro é uma homenagem póstuma a todos aqueles que são induzidos diariamente ao autoextermínio, nomeados no final: "O suicídio infantil é 18 vezes maior entre os indígenas. O suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 24 anos. Jovens negros são maioria em casos de suicídio." E o poeta lança a sua última provocação: "Este livro não fala disso..." Hoje Em mim tudo está trincado, desde a tela do celular ao olhar sem descanso. Sou um dia frio no verão e um calor no inverno, tenho lábios rachados, minha pele seca não comporta lágrimas, e hoje, neste dia, continuo mudo, somente uma tristeza profunda, e não ouço mais sua voz recitando minha poesia, me pego na saudade, hoje, sim, tudo é dor. Resquício de um suicídio Escrevo porque sempre que escrevo morro um pouco. Se não fosse este deslize, a poesia, quem sabe como estaria o meu corpo dentre em pouco? Mais um ano Todos que conheço são suicidas, não se calam perante a forma, pois não são nada de novo, resistem há 519 anos, ano que vem aumentará mais um ano na soma de nossas mortes, na soma de nossas vidas, nos dias de nosso apocalipse, do óleo, do lítio, da cana, 519 anos de estado, de estado de sítio. De um mundo séptico, de um mundo branco, todos que resistem são, todos que se calam foram, todos que são privados do amor, privadas as suas línguas de suas histórias, memórias, identidades, ano que vem é mais um ano de suicídio. Sobre o autor: Cristiano Silva Rato é autor de "Sentido Suspenso!" (2012, Multifoco) e tem diversos textos espalhados pela internet e em antologias. Documentarista, ajudou a criar e dirigiu o programa de websérie Literatura no Boteco. Integra o Coletivo Terra Firme, de Ibirité, a Cooperativa de Literatura Marginal, e é responsável pelo selo editorial e agência multimídia Marginália Comunicação.

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