Eu não sei se quero parabenizar ou esganar o responsável por escrever as sinopses desta série, mas certamente vende o produto.
Segunda vez que sou enganada pela sinopse. Segunda vez que dou uma chance na vã ilusão de que haveria enredo. De que encontraria uma história emocionante, interessante, principalmente >bem escrita < sobre a lenda de Rei Arthur.
Este livro consiste na Kiersten White repetindo tudo o que se passou em <i> The Guinevere Deception </i>, nos mínimos detalhes, como se o leitor tivesse problemas de memória (acho que a autora que precisa de suco de maracujá) e nos personagens zanzando de um canto a outro em missões infrutíferas e despistas de emoção. O problema é que a gente só descobre isso quando a missão é concluída Enquanto os personagens se organizam e tramam, há uma promessa no ar de que cada uma dessas aventuras tirará o livro desse marasmo infinito e infernal.
Esqueça o que a sinopse diz. Guinevere só decide descobrir quem é ela de verdade na última página da história. Não estou brincando, é a última frase da personagem. Preferia a delicadeza disso ter acontecido no meio da história como diz a sinopse.
A única diferença notável entre um livro e o outro é o Arthur. Ele mudou da água pro vinho em relação à Guinevere; deixa de tratá-la com indiferença para enxergá-la como sua parceira para defender Camelot de qualquer ameaça.
O romance ainda deixa a desejar. Eles dois não têm química alguma, só a autora não vê isso. É doloroso ler qualquer momento em que eles são mais carinhosos com o outro. Doloroso nível lembrar que seus avós transam.
(Os dois, no entanto, têm química com Mordred, e a autora deveria investir mais nisso. Só uma sugestão...)
Se Arthur progrediu, a história não seguiu o mesmo caminho. Nem Guinevere. A história continua mal executada; e ela, uma protagonista que não convence. Guinevere parece mais um filhote de cão assustado e encurralado do que uma feiticeira poderosa, burra até dizer chega. Todo mundo a engana, manipula e ela ainda ousa se achar inteligente e perigosa. Mal dá pra acreditar que ela foi escrita pela mesma pessoa que nos deu Elizabeth Frankenstein.
Cada vez penso mais que Merlin despachou ela pro castelo porque nem ele a aguentava mais
Este livro tinha potencial. Além do plot central (há um, apesar de não parecer), há subplots que movimentariam a trama se fossem bem desenvolvidos. Como a questão envolvendo Lancelot.
Ela conquistou seu posto igual a todos os cavaleiros, luta bem com espada, tem resistência. Mas é mulher demais para compartilhar do companheirismo entre eles; e mulher o suficiente para ser guarda e amiga pessoal de Guinevere sem que isso levante suspeitas. Ela está no limbo e gostei da autora dedicar uns parágrafos do livro para apontar isso.
Não vejo a amizade entre Guinevere e Lancelot como queerbaiting. É até uma ideia preconceituosa atribuir que Lancelot é lésbica (ou bissexual) só por ela usar calças e lutar. Ausência de feminilidade e orientação sexual não estão relacionados.
O plot da Ginevach foi outro desperdício. Podia movimentar a trama, principalmente se seguisse a linha que da sinopse.
Tive a impressão de que Ginevach só incomodou Guinevere porque a primeira se comporta como uma mulher nobre. Ela é tudo que a rainha deveria ser e não é (e também não faz esforço para fingir ser). E nada que Kiersten White coloque na história mudará minha opinião.
Aliás, uma história não é feminista se a personagem só é gentil e amável com as amigas e aliadas, mas é venenosa com as outras mulheres.
Acho estranho o comportamento de Guinevere. Ela cresceu livre de etiquetas, caminhando descalça pelo campo, deitando na grama, em contato com animais e a flora, sem criadagem atrás dela. Mas não consegue fazer nada sem eles. Porém ela não chega ao nível de educação de sua irmã e outras mulheres nobres. Há um momento em que todos os personagens percebem isso. Então o que ela faz? Se lamuria, como sempre. Afirma que agirá como rainha para não levantar suspeitas, mas não o faz. Uma coisa ela conseguiu captar da realeza: ser um peso morto dependente dos criados.
Por fim, Mordred. Eu gosto dele, mas não há uma razão lógica para isso. Sinto que a história ganha vida quando ele aparece. Aqui a função dele permaneceu uma incógnita do início ao fim. Espero que ele não se torne um vilão.
Minha tolerância é curta para livro medíocre. Já esgotou aqui, mas vou me forçar a ler o terceiro livro. >Preciso< entender o objetivo White com esta trilogia. Não é possível que ela tenha apresentado <i> isso</i> pro agente dela, pra editora e foi aprovada. Esse monte de nada que não chega a lugar algum e só gasta árvore
** Pré-resenha **
Qualquer que tenha sido meu pecado em vidas passadas, ele foi pago com a leitura deste livro. Ouvir o audiobook tornou menos penoso, mas ainda penoso.
Como no livro anterior (de acordo com alguns leitores, mas eu discordo), só nos capítulos finais acontece algo relevante e emocionante.
Que vício PAVOROSO da Kiersten White adquiriu. Sempre que algo acontecia, era repetido no parágrafo seguinte e no seguinte e no seguinte como se a memória do leitor fosse tão fraca assim.
Outra repetição irritante era dos principais eventos do livro anterior. White não mencionava por cima, ela repassava toda a cena de novo. Não é à toa que a versão final deste livro é gigantesca.
Eu tenho muitas coisas a dizer sobre este livro. Nenhuma delas é boa.