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    Famílias terrivelmente felizes -

    Marçal Aquino

    Cosac Naify
    2003
    228 páginas
    7h 36m
    ISBN-10: 8575032097
    Português Brasileiro
    3.7
    242 avaliações
    Leram411Lendo23Querem275Relendo1Abandonos21Resenhas9
    Favoritos15Desejados275Avaliaram242

    Conjunto de narrativas curtas do autor paulista, que também publicou, nesta editora, a novela Cabeça a prêmio. Além de cinco contos inéditos, este volume reúne textos já publicados que, segundo o autor, encontram-se em vias de atingir a maioridade. São oito contos retirados de As fomes de setembro (1991); outros oito selecionados de Miss Danúbio (1994), incluindo o texto que deu título a esse livro; e o conto Boi, que integrou a coletânea Decálogo (2000). Segundo o escritor Cristóvão Tezza, "avançando pelo livro, do intimismo inicial o leitor sentirá a passagem para as suas fortes histórias de ação, dramáticas e supreendentes, sempre atentas a essas coisas que são de direito da humanidade paralela que povoa seu universo. Em cada gesto, esses personagens parecem pedir licença, às vezes a tiros, para entrar no mundo da humanidade verdadeira".

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    Ricardo Senna picture
    Ricardo Senna08/10/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Famílias terrivelmente felizes

    A capa desse livro me chamou a atenção diante de tantos livros na livraria, não somente por ser vermelha, mas pela ilustração assim indefinida, assim inexpressiva. Seria um verme? Uma tripa retorcida? O que danado é isso? - eu pensei. Até agora eu não tenho certeza do que seja, mas mexeu comigo, revirou muita coisa aqui dentro do estômago e coração, assim como fizeram os contos que o livro traz. O título também achei uma grande idéia, me soou sarcástico aos ouvidos, quando li imaginei logo que ele estava disposto a contar todos os segredos e incômodos que as famílias 'aparentemente felizes' escondem debaixo do tapete. Confesso que a capa pitoresca foi o que me atraiu à princípio, mas logo folheei o livro e encarei as ilustrações disformes, indefinidas, mas cheias de sentido que, só mais tarde ao ler boa parte do livro, pude perceber como dialogavam tão bem com a natureza dos contos. São figuras de vermes, ratos mortos, telhados, penas e asas e tantas coisas mais que eu não sei ainda o que significam. São figuras encaradas como nojentas, sujas, imundas, diria até repugnantes. E o livro trata de assuntos assim, tristes, lamentáveis, trágicos, não espere ler um conto de fadas, não são histórias de príncipes e princesas encantados com finais felizes. É a realidade. Mas ao contrário da impressão - errônea - que posso ter causado no parágrafo anterior, as histórias do livro não carregam uma áurea pesada, não são fatalistas ou tenebrosas, muito ao contrário, e é esse o diferencial do autor: ele consegue tornar o "feio" atraente. O Marçal consegue tornar interessante fatos simples e aparentemente repulsivos, como um casamento desgastado, desencontros amorosos, assassinatos, brigas e fracassos em geral. A realidade que ele se propõe a tratar é suja e imperfeita, mas é real, e ele conta com uma imensa riqueza de detalhes, harmoniosamente arranjados de modo que os contos se tornam leves e fluem suavemente apesar dos assuntos serem de difícil digestão. Além do mais as histórias são sempre surpreendentes, fugindo do lugar-comum dos romances e personagens estereotipados, expondo a realidade dura de uma forma suportável. O Marçal Aquino nos faz rir do que não tem graça, mas não é um riso de alegria, é de conforto à alma. No primeiro conto, por exemplo, ele trata da morte de um homem que viveu a vida enclausurado num hospício. Isso por si só já é triste e depressivo, mas pela forma que ele conta, pelo ângulo que ele vê, se torna bastante interessante; ele resolve contar em terceira pessoa a vida que poderia ter sido e não foi. E quem nunca se perguntou a vida que poderia ter tido e não teve? Assim é 'famílias terrivelmente felizes', é uma leitura agradável sobre o desagradável, é tão divertido que por hora esqueçemos que o conto é trágico, pois ele se torna belo e tão palpável que é digno de aplauosos, e jamais de lágrimas.

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 242
    • 5 estrelas26%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas3%
    Marçal Aquino profile picture

    Marçal Aquino

    Marçal Aquino nasceu em 1958 na cidade de Amparo (SP). Jornalista, trabalhou como revisor, repórter e redator nos jornais “O Estado de S.Paulo” e “Jornal da Tarde”. Atualmente, trabalha como jornalista free-lancer. Escreve ficção adulta e juvenil, faz roteiros para o cinema, tendo atuado como consultor no IV Laboratório de Roteiros Sundance/RioFilme, a convite do Sundance Institute, dos E.U.A., em 2002.

    21 Livros
    255 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Marçal Aquino