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    Histórias lindas de morrer -

    Ana Claudia Quintana Arantes

    Sextante
    2020
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788543109541
    Português Brasileiro
    4.7
    4521 avaliações
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    AUTORA DO BEST-SELLER A MORTE É UM DIA QUE VALE A PENA VIVER. Com momentos tocantes, tensos e também divertidos, Histórias lindas de morrer nos relembra a importância das relações humanas e do respeito ao outro. Como médica paliativa, Ana Claudia Quintana Arantes cuida de pacientes terminais há mais de vinte anos, em contato íntimo com os momentos de maior vulnerabilidade do ser humano. Uma das principais vozes na tentativa de quebrar o tabu sobre a morte no Brasil, ela nos traz uma coleção de emocionantes histórias reais colhidas em sua prática diária, em que a proximidade do fim nos revela em toda a nossa profundidade. São pessoas de variadas idades, crenças e origens, que nos deixam de herança lições de vida. Você vai conhecer A.M. e R., que mostram, cada um à sua maneira, que a comunicação humana vai muito além do que imaginamos. Vai se emocionar com M., que recebeu em vida o perdão incondicional pelos maus-tratos dispensados à filha. Vai torcer pelo morador de rua F. em sua tentativa de reencontrar a mãe para se despedir. Ana Claudia exerce uma medicina que dá aos sentimentos e à história dos pacientes a mesma atenção que dedica aos sintomas e desconfortos físicos. Mas como será, no dia a dia, alcançar as camadas mais profundas das pessoas justo antes de elas partirem? Com momentos tocantes, tensos e também divertidos, estas histórias nos relembram a importância das relações humanas e do respeito ao outro. O medo da morte é o medo do não vivido, mas nunca é tarde para se envolver com a própria história.

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    Alane Sthefany picture
    Alane Sthefany03/08/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Histórias Lindas de Morrer - Ana Claudia Quintana Arantes

    Um livro que fala sobre a morte, mas, sobretudo, sobre a vida. Um livro que mostra quão frágeis somos, principalmente diante de alguma doença, seja nossa ou de uma pessoa querida, ensina que devemos aproveitar cada minuto com as pessoas que estão ao nosso redor, em especial, a família. A aprendermos dar valor as coisas simples da vida e sabermos o que deve ser prioridade nela. Porque a vida é breve e logo findará. Seja a sua ou até mesmo de uma pessoa amada. No entanto, antes das despedidas e do "adeus", aproveite. E viva como se o "amanhã" não existisse, porque se for parar para pensar, ele de fato, não existe. Trechos Preferidos ✍🏻📚❤️ Quando as pernas deixarem de andar, caminharemos pelas memórias. Quando as pernas deixarem de andar e os olhos deixarem de ver, caminharemos pelas memórias e estas serão nítidas. Quando as pernas deixarem de andar e os olhos deixarem de ver e os ouvidos deixarem de ouvir, caminharemos pelas memórias e estas serão nítidas e vozes esquecidas contarão tudo de novo. - Susana Moreira Marques Recebi do meu pai um ensinamento que complementou o que aprendi na Bíblia. Meu pai me disse que o livro da vida tem só duas páginas porque a vida, de fato, é simples. A primeira página deve ser lida quando tudo estiver dando errado: um revés no trabalho, uma doença, um problema na família. Lá está escrito: “Tudo vai passar.” A segunda página deve ser lida quando tudo estiver dando certo. Está escrito: “Isso também vai passar.” Então, de todas as coisas ruins que aconteceram comigo, nada foi tão difícil, porque eu sempre soube que passariam. Ao mesmo tempo, sempre prestei muita atenção nos bons momentos, porque sabia que também passariam. Hoje, olho para trás e não tem nenhum momento da minha vida, bom ou ruim, que eu não tenha vivido com felicidade. Deus é mais justo na chuva e na morte. Quando chove, chove em todo campo, no campo do rico, no campo do pobre. Chove em terreno grande, chove na horta pequena, na terra seca e na terra fértil. Molha o rio e o mar. Chove em todo lugar. E assim é com a morte, também. – Hoje é meu aniversário de casamento. Cinquenta anos ao lado dessa mulher – respondeu ele, com clareza e emoção. R. levantou a taça e brindou com B. Olhando-a intensamente, falou: – Eu me casaria com você todos os dias da minha vida. – E, olhando para nós: – Brindem à vida, porque a vida é muito bonita. Celebrem sempre que tiverem oportunidade. Um dia, tomei coragem e perguntei: – Você se arrepende de alguma coisa na sua vida? – Não, não me arrependo. – Diante da minha surpresa (pois sempre acreditei que todos carregamos arrependimentos), ele explicou: – Eu cometi muitos enganos na minha vida, porém, toda vez que precisei tomar uma decisão, levei em consideração todo o meu conhecimento sobre o assunto naquele momento. Portanto, eu sabia que estava tomando a decisão certa. Além disso, qualquer caminho que eu escolhesse teria curvas, buracos, abismos. É por isso que não me arrependo das escolhas que fiz. Foram as melhores que eu pude fazer. – Sempre? – Houve um momento em que tomei um caminho que talvez não me fizesse feliz, mas nem dessa vez me arrependi. Encontrei grandes felicidades e também problemas nesse caminho. Se tivesse seguido pelo outro, certamente teria encontrado outras felicidades, e outros problemas também. Dia após dia, fui me maravilhando cada vez mais com a coragem com que C. enfrentou a dependência física. Um dia, porém, encontrei-o aborrecido porque, novamente, alguém lhe daria banho. – C., quem merece dar esse banho em você? – falei. – A quem você honrará com essa permissão? Ele se emocionou. – Ai, Ana, você fala de um jeito que até parece bonito. É horroroso ter que dar banho em um homem do meu tamanho, da minha idade. – Você não tem escolha – argumentei. – Vai ter que passar por isso, pela luz ou pelas trevas. E ele, depois de uma hesitação: – Acho que dá para passar pela luz. Outro dia, perguntei: – F., você acredita em Deus? Ele pensou um pouquinho. – Não, não acredito em Deus. Me espantei. – Como não acredita? Você às vezes pede para ir à missa! – Então, doutora. Acreditar, a gente acredita em bruxa, em saci, em demônio. Em Deus a gente tem fé. Os maus é que têm de ser perdoados. Os inocentes têm em si mesmo o perdão. - Clarice Lispector Quem me contou a história completa foi a filha. Estava devastada pela notícia da terminalidade da mãe. – As pessoas me condenam por eu querer cuidar dela, mas ela me deu a vida, doutora. Tem alguma coisa errada nisso? Eu me comovi olhando para aquela filha, que embolava um lenço de pano puído nas mãos, enxugando as lágrimas. C. não era deste mundo, deve ter descido no planeta errado. – Ah, meu amor, está tudo bem, tudo bem – falava baixinho, acariciando o rosto cansado e agônico dele. – Pode ir tranquilo, meu amor, que tudo vai ficar bem aqui. Mas, quando chegar lá, avisa que precisa voltar logo para me buscar, porque estou pronta para ir.

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    Ana Claudia Quintana Arantes

    É formada em medicina pela Universidade de São Paulo (USP), com residência em Geriatria e Gerontologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e pós-graduada em Psicologia. Especializou-se em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e pela Universidade de Oxford, em Londres.

    9 Livros
    194 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Ana Claudia Quintana Arantes