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    O que Resta da Ditadura - a Exceção Brasileira

    Vladimir Safatle

    Boitempo
    2010
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-13: 9788575591550
    Português Brasileiro
    4.2
    26 avaliações
    Leram52Lendo9Querem228Relendo0Abandonos4Resenhas5
    Favoritos2Desejados228Avaliaram26

    Bem lembrada na frase que serve de epígrafe ao livro, a importância do passado no processo histórico que determinará o porvir de uma nação é justamente o que torna fundamental esta obra. Organizada por Edson Teles e Vladimir Safatle, O que resta da ditadura reúne uma série de ensaios que esquadrinham o legado deixado pelo regime militar na estrutura jurídica, nas práticas políticas, na literatura, na violência institucionalizada e em outras esferas da vida social brasileira. Fruto de um seminário realizado na Universidade de São Paulo (USP), em 2008, o livro reúne textos de escritores e intelectuais como Maria Rita Kehl, Jaime Ginzburg, Paulo Arantes, Ricardo Lísias e Jeanne Marie Gagnebin, que buscam analisar o que permanece de mais perverso da ditadura no país hoje. Assim, o livro possui também um caráter de resistência à lógica de negação difundida por aqueles que buscam hoje ocultar o passado recente, seja ao abrandar, amenizar ou simplesmente esquecer este período da história brasileira. Segundo Edson Teles e Vladimir Safatle, a palavra que melhor descreve esta herança indesejada é “violência” - medida não pela contagem de mortos deixados para trás, mas por meio das marcas encravadas no presente. Para os organizadores, “neste sentido, podemos dizer com toda a segurança: a ditadura brasileira foi a mais violenta que o ciclo negro latino-americano conheceu. Quando estudos demonstram que, ao contrário do que aconteceu em outros países da América Latina, as práticas de tortura em prisões brasileiras aumentaram em relação aos casos de tortura na ditadura militar; quando vemos o Brasil como o único país sul-americano onde torturadores nunca foram julgados, onde não houve justiça de transição, onde o Exército não fez um mea culpa de seus pendores golpistas; quando ouvimos sistematicamente oficiais na ativa e na reserva fazerem elogios inacreditáveis à ditadura militar; quando lembramos que 25 anos depois do fim da ditadura convivemos com o ocultamento de cadáveres daqueles que morreram nas mãos das Forças Armadas; então começamos a ver, de maneira um pouco mais clara, o que significa exatamente ‘violência’.”

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    Wagner Alves Pereira09/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A EXCEÇÃO BRASILEIRA

    É impossível entender o solo que sustenta o nosso viver diário sem apreender a opressão e a exploração decorrentes do regime colonial português e norte-americano, das consequências nascidas dos horrores e do genocídio da escravidão indígena e negra e do holocausto autoritário promovido pela ditadura civil-militar que perdurou entre 1964-1985. A presença dessas expressões brutais de violência revelam que a nossa realidade brasileira é fundada no sangue, na repressão e na bárbarie que transfigura a exceção em rotina ordinária e quotidiana. "O que resta da ditadura: a exceção brasileira", coletânea de 15 artigos organizada por Edson Teles e Vladimir Safatle,  desvela que a violência da ditadura e do autoritarismo constituem  partes fundante da nossa atual "democracia". O verbo "restar" manifesto no título da obra não designa resquícios que desaparecerão calmamente e espontaneamente com as maresias do tempo, mas algo que funda e organiza a nossa existência social, política, cultural e econômica. Nos nossos dias, a manutenção da ditadura se desnuda em múltiplas faces: na militarização da vida; nas práticas de tortura e de assassinatos cometidos pela polícia (especialmente, nas favelas e áreas de disputa pela terra e moradia); na tentativa de apagar a memória e o luto dos mortos, torturados e desaparecidos políticos; e na ausência de punição dos crimes perpetrados por civis e militares; dentre outras fisionomias perversas e bárbaras. "O que resta da ditadura: a exceção brasileira", com seus duros e amargos ensinamentos, é uma obra essencial porque lança luz sobre a ditadura que ainda perdura em suas novas e mutiladas expressões.

    2 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 26
    • 5 estrelas35%
    • 4 estrelas46%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Vladimir Pinheiro Safatle

    Em suas obras o autor propõe uma releitura da tradição dialética por meio da teoria psicanalítica de Jacques Lacan, além da reformulação de categorias clássicas do pensamento marxista, como fetichismo, crítica e reconhecimento. É um dos responsáveis pela publicação de um importante estudo sobre a ditadura militar e suas ramificações no presente, intitulado: O que resta da ditadura: a exceção brasileira (Boitempo, 2010). Publicou também contribuições à filosofia da música, à crítica da cultura e à teoria psicanalítica. Assinou ainda a introdução à tradução brasileira da obra Bem-vindo ao deserto do real! (Boitempo, 2003), do filósofo esloveno Slavoj Žižek.

    21 Livros
    75 Seguidores

    Vladimir Pinheiro Safatle