Os primeiros textos que compõem o "Filosofia do amor" apesentam mais um viés sociológico do que propriamente filosófico (como dá a entender o título do livro). Entretanto, isso não é nenhum demérito. Através da pena de Georg Simmel, somos conduzidos a reflexões a respeito da constituição da família (e acerca de quem pode ser considerado "pai", "mãe" e as relações entre os geradores e sua prole); ao papel a que caberia a prostituta numa sociedade; o que é o coquetismo etc. A leitura é enriquecedora e agradável.
Mais adiante é que adentramos, verdadeiramente, em textos que apresentam mesmo um verniz filosófico (trato dos "Fragmentos"). Aqui há reflexões sobre o amor, o erotismo, bem como relações desses temas com outros tais como liberdade e religião. Os fragmentos exigem um pouco mais de esforço para sua compreensão.
Fecha o volume um ensaio escrito por Lukács, que assinala a importância de Simmel na transição da filosofia moderna para a contemporânea, tratando ainda de sua relevância no impressionismo (que não se deixa confundir com relativismo). Um texto curto, mas muito esclarecedor.
Uma obra interessante, em suma.