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    Os papéis do inglês -

    Ruy Duarte de Carvalho

    Companhia das Letras
    2007
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788535910001
    Português
    3.4
    31 avaliações
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    "Eu falo daquilo que sei, daquilo que experimentei, o que revela evidentemente a minha origem de classe, a minha formação. Não pode deixar de ser assim, nem eu quereria que fosse de outra maneira", diz o angolano Ruy Duarte de Carvalho. A afirmação faz todo o sentido: como antropólogo, Carvalho lança mão do instrumental da disciplina para descrever o mergulho numa terra estranha, devastada pela miséria, por disputas ancestrais e pela herança ainda incômoda do colonialismo. Como num romance de Conrad, uma das influências declaradas de Carvalho, as peripécias vividas pelo protagonista, um professor, ressoam numa dimensão individual. Ele desconfia que algo sobre sua personalidade pode ser descoberto na trajetória de um inglês que se matou em plena selva, em 1923. Com uma prosa de sabor incomum, que explora toda a riqueza vocabular do português angolano, este é um livro que discute não apenas os limites do homem num ambiente hostil, mas também as possibilidades da linguagem ficcional. É ela que pode redimir as desilusões do professor, crescentes à medida que sua investigação se aproxima do desfecho, e atenuar, quem sabe, a dureza de um mundo no qual os sonhos parecem estar para além da fronteira, para além de todas as fronteiras.

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    Ruy Duarte de Carvalho

    Português de nascimento, passou a infância em Moçâmedes, voltando a Santarém, em 1955. Depois do Curso de Regentes Agrícolas, que realizou na então Escola de Regentes Agrícolas de Santarém (atual Escola Superior Agrária), em 1960, foi exercer funções na Estação Experimental do Caraculo, na então Moçâmedes. A seguir trabalhou também nos setores da cafeicultura e da pecuária. Em 1971 resolveu instalar-se em Lourenço Marques, onde foi chefe de produção numa fábrica de cerveja. Em 1972 parte para Londres, a fim de estudar realização de cinema. Ao regressar seria admitido na Televisão Popular de Angola, como realizador. É autor das longas-metragens Nelisita: narrativas nyaneka (1982) e Moia: o recado das ilhas (1989). Adquirindo a nacionalidade angolana em 1983[3], voltou a sair da antiga colónia para se doutorar em Antropologia, na École des Hautes Études de Sciences Sociales, em Paris. A partir de 1976 conciliou a escrita, o cinema e o ensino na Universidade de Luanda. Como professor convidado leccionou também na Universidade de Coimbra e na Universidade de São Paulo, no Brasil. Autor de referência da língua portuguesa, publicou, entre outras obras, Chão de Oferta (1972) e A Decisão da Idade (1976), reunindo em Lavra (2000), a sua obra poética quase completa. Na ficção salienta Como se o mundo não tivesse Leste (1977), Vou lá visitar pastores (1999), Actas da Maianga -Dizer da(s) guerra(s) em Angola (2003) e Os Papéis do Inglês (2000). Recebeu o Prémio Literário Casino da Póvoa com Desmedida - Luanda, São Paulo, São Francisco e volta (2008). Também em 2008 o Centro Cultural de Belém realizou um ciclo sobre a sua vida e obra, o primeiro que dedicou a um autor de língua portuguesa. À data da sua morte residia em Swakopmund, na Namíbia.

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    Ruy Duarte de Carvalho