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    O Reacionário - Memórias e Confissões

    Nelson Rodrigues

    Agir
    2008
    719 páginas
    23h 58m
    ISBN-13: 9788522007547
    Português Brasileiro
    4.5
    117 avaliações
    Leram182Lendo29Querem256Relendo3Abandonos5Resenhas12
    Favoritos12Desejados256Avaliaram117

    Seguindo a mesma linha temática confessional de A Cabra Vadia e O Óbvio Ululante, esta é uma coletânea das crônicas de Nelson Rodrigues, publicadas na coluna "Confissões", do Jornal O Globo, e também na coluna "Memórias", do Correio da Manhã, durante o período de 1969 a 1974.

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    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich28/02/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O reacionário continua o mesmo

    Depois de Machado de Assis, só uns dois ou três nomes podem reivindicar para si o mérito de ser um estilo no gênero da crônica. Um deles, naturalmente, é o Rubem Braga. E outro fatalmente é o Nelson Rodrigues. O mesmo Nelson que é sempre reconhecido por seus contos e por suas peças merece ser incluído entre os melhores cronistas que tivemos. E não cronista esportivo. Cronista cronista mesmo, daqueles que escrevem uma coluna diária no jornal sobre o que lhe der na telha, normalmente abordando acontecimentos cotidianos, frequentemente recorrendo ao passado, geralmente dialogando com o leitor do jornal. Nelson Rodrigues é um polemista, mas também é um humorista – daqueles que contam uma piada engraçadíssima sem esboçar um mísero sorriso. Não sei de outro cronista que tenha manejado tão bem a palavra escrita. Suas frases contém palavras precisas, como que escolhidas a dedo para causar um impacto no leitor – geralmente o exagero, que leva ao riso. A escolha, a disposição das palavras, e o tom contundente de Nelson dão às suas frases o ar de verdades eternas e inquestionáveis – e muitas vezes é pura galhofa. A cadência entre essas frases também é de uma fluidez espantosa. Os temas dificilmente são os mesmos do início ao fim da crônica. “Mas não era isso que eu queria dizer” e “Por que é que estou falando nisso mesmo?” são expressões corriqueiras que fazem com que, repentinamente, o autor mude a direção do seu texto. O fluxo de ideias é constante, e não atrapalha a leitura – geralmente diverte. Em “O Reacionário”, última coletânea de crônicas lançada em vida do autor, Nelson continua criticando Dom Hélder, os padres de passeata, o progressismo na Igreja, nos costumes, nas esquerdas, mas principalmente a ascensão do idiota – ele, que apenas fazia filhos, de repente começou a pensar: descobriu-se em superioridade numérica. Grande parte das suas posições seriam criticadas hoje com a mesma intensidade que foram no final dos anos 60. E, no entanto, não há um texto que não dialogue com o nosso tempo. É uma leitura que, no mínimo, dá o que pensar, principalmente se for feita livre de prisões ideológicas ou partidárias. É preciso dizer que “O Reacionário” não tem a mesma força de “A Cabra Vadia” – provavelmente sua melhor coletânea. Na verdade, “O Reacionário” é um calhamaço de 700 páginas que faz uma colcha de retalhos de todas as crônicas do autor, e isso significa, inclusive, repetir e adaptar crônicas que já haviam sido publicadas em “A Menina Sem Estrela”, “O Óbvio Ululante” e “A Cabra Vadia”. E como Nelson faz da repetição o seu próprio estilo, até mesmo naquelas crônicas em que não há indicação de publicação anterior tem-se a impressão de já ter lido em algum lugar. Também não há uma ordem cronológica nas crônicas. Por vezes, há uma sequência de textos com temas semelhantes – um dos mais divertidos, e ausente nos outros livros, é a defesa frustrada que Nelson tentou fazer do Piauí. Não é o melhor livro de crônicas do Nelson, mas é um que, sendo dele, também merece ser lido, e certamente trará algumas boas inquietações. Em tempos de Reinaldo Azevedo e Arnaldo Jabor, dá o que pensar ter um cronista de direita da envergadura do Nelson Rodrigues.

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    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas9%
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    • 1 estrelas0%
    Nelson Falcão Rodrigues profile picture

    Nelson Falcão Rodrigues

    Foi um jornalista e escritor brasileiro. Grande nome da literatura brasileira, consagrou-se especialmente através de seus contos e peças teatrais. Colunista de sucesso em sua época, também destacou-se nas crônicas esportivas, folhetins e romances, estes últimos, sob pseudônimos de Myrna e Suzana Flag. Foi o mais revolucionário personagem do teatro brasileiro, abrindo as portas à moderna dramaturgia no país. Trabalhou nos grandes jornais do Rio de Janeiro. Percorreu, contudo, um árduo itinerário, marcado pelas tragédias familiares e pela crítica equivocada da época, vinda tanto de militantes políticos comunistas como conservadores. Iniciou sua carreira jornalística em 29 de dezembro de 1925, como repórter de polícia no jornal de seu pai, tendo apenas treze anos e meio.

    102 Livros
    784 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    Nelson Falcão Rodrigues