Sobre um Japão em transformação
El Maestro de Go é o primeiro livro que leio do Kawabata. Antes, tinha lido apenas um conto que acabou por não me chamar a atenção. Mas o livro me surpreendeu positivamente. Kawabata trata do último jogo de Shūsai, um homem de idade avançada e do mais alto nível dentro do Go, contra Otake, um jovem que ama o jogo mas que também está construindo uma vida. A história não se trata somente sobre peças pretas e brancas sendo movimentadas e creio que tenha sido isso o que me fez gostar do livro... Kawabata retrata aqui a contraposição de um Japão de tradições, fechado para conceitos ocidentais e mudanças, para um Japão que mudava de forma acelerada. Cada jogador em uma linha do tempo diferente mas dedicados a um jogo que atravessava gerações, que foi sinônimo de arte. E o autor é muito sutil para expor suas opiniões quanto ao jogo e aos seus jogadores. Na morte de Shūsai, Kawabata é convidado pela esposa para que ele tire fotos do morto. É a minha parte favorita do livro pela delicadeza com que o autor retrata a luta e o fim de quem deu praticamente a vida por manter a tradição acesa e pelo o que acreditava.
