
Simultaneamente política e feminista, Elfriede Jelinek cria uma linguagem muito própria que utiliza como arma artística e estética contra os males e vícios das sociedades modernas - a exclusão das diferenças, os abusos de poder e os pesos sociais que asfixiam, esmagam e destroem. Jelinek inscreve-se na tradição literária austríaca junto de grandes e polêmicos autores, tais como Karl Kraus e Thomas Bernhard. Tal como eles, foi considerada pornográfica e traidora da pátria, tendo recebido ameaças e desprestígio. Apesar disso, tem sido, ao longo da sua carreira, agraciada com múltiplos prêmios literários incluindo o Nobel de Literatura de 2004. A Academia Sueca destacou seu "fluxo musical de vozes e contra-vozes em novelas e peças que, com extraordinário zelo linguístico revela o absurdo dos clichés da sociedade e seu poder de subjugo".