Ontem à noite terminamos a leitura de "No Cangote do Saci", obra de @mariaameliadalvi, com as belíssimas ilustrações de Daniel Hondo, que traz releituras poéticas de lendas brasileiras em uma roupagem bastante divertida e inusitada.
Iniciamos essa leitura fazendo uma sondagem dos horizontes de expectativas das crianças aqui em casa, perguntei para eles: "O que tem no cangote do Saci?". As respostas foram as mais divertidas possíveis: perfume, colar, uma tatuagem, grude...
A partir daí seguimos brincando com as ilustrações que, nas primeiras páginas do livro, são apresentadas de uma forma muito interessante: as dez personagens que compõem a seleção feita pelos autores das lendas brasileiras, são dispostas em páginas partidas em três fragmentos, com os quais as crianças podem interagir de maneira bem lúdica, por aqui, Drica ficou criando novos monstros e seres encantados, unindo várias partes dos que já existiam, surgiu, por exemplo, a "Saicu", uma mistura de Saci, Cuca e Iara (posto a foto a seguir).
Os poemas de Dalvi são excelentes, trazem uma nova perspectiva na forma de contar as histórias já conhecidas em massa como as do Boto Rosa, da Cuca, do Curupira, da Iara, bem como apresenta lendas pouco difundidas (pelo menos aqui na Paraíba) como o Barba Ruiva e o Pássaro de Fogo, é uma bela porta de entrada para as crianças no universo da poesia, uma vez que se apropria do prosaísmo das narrativas populares para (re)contar em versos aquelas histórias que pululam o imaginário popular pelas vastas regiões do nosso país.
O livro é excelente! Precisa ser lido por mais gente e pode (diria que deve), tranquilamente, adentrar nas aulas de leitura literária em nossas escolas, por desconstruir os folclorismos comuns quando se trata de se apresentar as lendas brasileiras às crianças.
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